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terça-feira, 7 de junho de 2011

As apresentações do e-Ventre

Falarei sobre as profissas que puder ver durante o e-vento e sobre a minha avaliação e apresentação. Puder assistir apenas algumas porque cheguei às 16h e peguei o bonde andando maaaaas... o que eu vi foi um arraso e um show de aprendizado e de dança.

Vi bailarinas dançando a essência, o próprio estilo com emoção, delicadeza e arte. E uma dança do ventre eutêntica e diferente. Sempre lembro dos textos da Luana Mello sobre a mesmice que se propagou na dança do ventre: todas dançando do mesmo jeito como se fossem bonecas. Pois bem... vi danças diferentes que me alegraram os olhos, porque ver também é um estudo.

Fátima Braga, Esmeralda (não a conhecia e tem um estilo super marcante), Rhazi, todas arrasaram, com uma dança que não cansa e dá vontade de ver mais e mais. E a mestra de todas nós: Lulu Sabongi! O que falar gente?! Sempre admirei e estudei ela mas a cada ano que passa ela me surpreende, sua dança é cada vez mais apurada, técnica e expressiva.

Lulu dança com o corpo inteiro, com a alma, com a técnica e precisão. Me emocionou em algumas partes, me segurei em alguns momentos para não desaguar. Não é tietagem, porque não sou disso, é meu olhar de admiração e respeito por uma profissional ética, uma pessoa fofa que conversou comigo de igual pra igual - é... acabou ficando uma tietagem isso aqui! kkkk

Sobre a minha dança... todas sabem que a Enta Omri é pura emoção e a maior responsa dançá-la ainda mais pra banca formada por: Lulu, Adriana Bele Fusco, Amara e Esmeralda - mas como não tive alternativa fui que fui.

Era a música que havia mais estudado (claro), porém... quando improvisei me entreguei mesmo, dancei o que havia marcado mas muitas coisas sairam espontâneamente com a emoção do momento. Como a minha expressão que nunca é introspectiva e séria - mas foi o que senti no momento, me fechei e dancei para mim e deixei me levar pela música - só encarei o público em algumas partes e sorri no final, que é onde me senti feliz.

Afinal era a Enta Omri!

Me emocionei muito lá no momento e fiquei no meu mundo. Apesar que lendo o que a Naznin escreveu a respeito, não me arrependo do jeito que dancei, ela se emociou, meu namorado e minhas alunas também.

E foi isso que pegou porque de resto fui bem. Apenas a Adriana curtiu essa expressão e me deu 9.0, o restante me deu 7.0. Engraçado como muda de pessoa pra pessoa. Ao todo fiquei com 168, nem me lembro a nota do terceiro lugar... acho que era 171 alguma coisa.

De restante li muitas coisas boas, incentivos, as minhas qualidades e claro que a Lulu com seu olhar super técnico me deu dicas e correções que ninguém havia escrito. Isso é o que valeu a pena! Ler e ver que são sutilezas que preciso melhorar e isso eu sei que é eterno para qualquer artista.

Claro que fui falar com a Lulu, claaaaro! Não me aguentava e ouvir dela um:

_Você é super talentosa menina! Que postura, que linha! Só precisa deixar mais andeor seus pés e etc... leia e me escreva um e-mail. (nunca pensei que isso ia acontecer um dia),

Olha a sutileza! Bem que a Elis me falou que ela olha e fala o que precisamos ouvir! Lulu arrasa até nisso!

É isso gente! Como terei as prés - seleções na frente e em vista, essas avaliações me ajudarão nisso. Vou pegar as anotações e trabalhar nas aulas particulares e continuar no caminho de aprimorar cada vez mais a minha dança.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Avaliação, nível e mudança de módulo das alunas


Hoje falarei de um assunto, na minha opinião muito importante: mudança de módulo, nível e avaliação das alunas. Como devemos trabalhar? É possível um ensino da dança com um sistema de módulos, onde a aluna conclui um e passa automaticamente para outro?

Por experiência de aluna e professora eu respondo: Não!

Decidi escrever sobre esse assunto depois do comentário da Laurinha (Mulher modernex) disse...
Oi Zahira! tudo bem?Posso te fazer uma pergunta?No seu estúdio, quanto tempo demora cada módulo: básico, iniciante, intermediário e avançado? E que estilos são ensinados em cada módulo?Abçs

Então vamos conversar sobre esse assunto polêmico. Já fiz aula e trabalhei numa rede que funciona no sistema de módulo e avaliação progressiva, ou seja, todo mundo passa independente se as alunas sabem ou não fazer: afinal, elas são clientes e estão lá por hobbie ou para se divertirem - ok! isso funciona para esse tipo de aluna porém... e para quem quer se profissionalizar? Digo que funciona apenas para quem tem facilidade e mesmo assim, é uma ilusão, porque o tempo dos módulos é curto para a aluna aprender de verdade os passos.
E o que seria aprender de verdade os passos da dança do ventre? É quando a aluna sabe explicar o que ela está fazendo, quando executa sem copiar a professora e consegue fazer com perfeição: apropriou do conhecimento - o passo é dela e não uma cópia. E gente! Isso só acontece com muito estudo, esforço e tempo de aula.
No meu estúdio, decidi fazer o mesmo que outras bailarinas e escolas fazem, por funcionar de verdade que é: trabalhar com avaliação individual, e é a aluna que muda de nível e não a turma. A aluna pode ser de nível avançado numa turma intermediária, ou uma aluna de básico numa turma de intermediário - elas saberão o que vão aprender, o que precisam "correr atrás" e o que precisam estudar e treinar mais. O tempo de conclusão e passagem de nível depende das alunas.
Assim elas sabem o que conseguem fazer com perfeição e o que elas ainda precisam aprender ou treinar mais.
Também dou uma apostila para cada nível: iniciante + básico, intemediário, avançado - com textos, históricos e dicas do que será visto.
De forma bem resumida, organizei os módulos dessa forma:

Iniciante: noções básicas de dança, posições dos pés, quadril, braços e corpo, conscientização corporal e espacial, primeiros passos da dança que são as batidas, tremido, redondo e etc.

Básico: já são trabalhados muitos passos e os mesmos tópicos do Iniciante mas de forma intensificada. Já ensino véu, taças, jarro, bastão, dabke básicos e estudamos os 4 ritimos: Said, Baladi, Ayoub e Maksoum.

Intermediário: todos os outros itens mas com a introdução do deslocamento, da improvisação, limpeza dos passos básicos, fusão de alguns passos básicos, derbake e novos tremidos, arabesques e etc. Trabalho forte com a entrada e saída da bailarina, com a expressão e interpretação musical, preocupação com a postura cênica e presença no palco. Também ensino folclore Khalige, Meléa Laf, Núbia e Pandeiro e os ritimos: masmoudi, wahda wo noss, warda, tchifttelli, fallahi e malfouf.

Avançado: estudo de bailarinas, estudo da história, revisão e aprimoramento de tudo o que foi visto, fusões de passos.

Isso é no papel, na prática é bem diferente porque tudo depende da turma, das alunas e esses conteúdos não são inflexíveis, não há um tempo determinado, mas até então minhas turmas de iniciante levaram 3 meses e os básicos levaram 1 ano e meio. Mas como também tive novas alunas de básico que levaram 6 meses para realizar os passos mínimos de uma aluna desse nível.
É isso, trabalho dessa forma mas tudo pode ser aprimorado, melhorado e mudado de acordo com as necessidades, mas acredito que é a aluna que deve mudar de nível e não a turma e ela deve receber uma avaliação individual quando ela quiser.