Antes mesmo de lero blog da Vera e ver o movimento anti-ballet que está rolando no facebook, já pensava em escrever esse post, sobre esse assunto: Afinal, o que é a dança do ventre pura?
A verdade é que ninguém sabe, e o que dançamos hoje é uma dança que acreditamos ser Dança do Ventre - loucura! E nesses momentos lembro da frase do grande Nelson Rodrigues "A unanimidade é burra"! Pois é... odeio as verdades absolutas e as inflexibilidades das reflexões sobre algum assunto.
Na minha opinião é chover no molhado, e todos estão errados, aquelas que querem e lutam por uma dança do ventre limpa, pura, árabe, oriental e sem ballet ou qualquer outra influência - assim como aquelas que lutam pela fusão incorporando todo tipo de dança na nossa dança do ventre.
Vamos refletir:
Somos seres humanos inseridos numa cultura, e numa sociedade, senão seríamos todos Tarzans, Moglis e etc, nesse ponto vale lembrar que há uma diversidade cultural que são produzidas aqui por nós como também é trazida através dos meios de comunicação, graças à internet e globalização isso acelerou muito.
E nós próprios somos seres tão complexos, multis (como falo), com estilos e opiniões próprios e com um caminho que só nós sabemos... o artista possui uma busca, que só ele sabe, as vezes se perde, erra... mas é um processo importante e nunca chegará no fim.
Como podemos punir o artista que experimenta? Que busca seu estilo? Que estuda e deseja encontrar a perfeição?
Lembrei do que o Jorge Sabongi sempre fala: todo artista precisa de direção - é... senão a nossa viagem é muito grande e nunca voltamos né?! Mas isso é assunto pra um outro post.
Dessa forma, nem defendo as que querem uma dança do ventre pura, nem as que lutam pelas fusões. Defendo o artista que estuda, é serio, e cria seu estilo próprio de trabalho. Perceberam que nem entrei no termo bailarina? Estou usando artista!
Antes de ser uma bailarina, sou uma artista, porque estudo história da arte, da dança, das culturas e etc. Acho que isso é importante para mim e é a minha busca.
E toda esses baletts que vemos hoje na dança do ventre, veio com Saida e ela mesma afirma que foi uma fusão, ou seja não é apenas dança do ventre. As bailarinas que se encontram nesse estilo vão segui-la, mas não dá para pegar o que é lindo nesse estilo e acrescentar no seu?
Ela é linda, todas as brasileiras quando a viram queriam ser como ela, dançar como ela, não é verdade?! Virou uma febre e para mim o problema está em outras questões!
Gamal Seif, Yousry Sharif, Lulu Sabongi, Elis Pinheiro, Aysha Almée, Aziza, Randa, Kahina, Jullina, Amara, e outros mestres e mestras usam de forma equilibrada os arabesques, giros, braços... tudo tem que ter equilíbrio!
Não vamos colocar um passé em andeor, saltos, jetés né? A não ser que seja uma dança moderna... por que não? Tudo tem limite e bom senso!
Eu gosto dessa mistura, porque para mim acrescenta e me enriquece como pessoa e artista. Já fui daquelas que subia bem meus arabesques, hoje deixo -os mais baixos, uso braços bem diferentes para fugir desse paradigma. Estou numa outra "onda" mas não condeno meu passado.
Mas quando decido dançar um chorinho, uma sonata ou samba... mudo totalmente meu estilo. O público gosta e eu gosto!
Vamos parar de hipocrisia e respeitar as diferenças. Saber analisar! É claro que conseguimos diferenciar a bailarina que dança dança do ventre com influências positivas e as que dançam uma dança moderna com influência da dança do ventre.
Vamos usar o bom senso! Nossa cultura não pára, a cultura do corpo não pára, e só vamos parar quando o mundo acabar!
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terça-feira, 5 de julho de 2011
Afinal de contas: o que é dança do ventre?
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terça-feira, 7 de junho de 2011
As apresentações do e-Ventre
Falarei sobre as profissas que puder ver durante o e-vento e sobre a minha avaliação e apresentação. Puder assistir apenas algumas porque cheguei às 16h e peguei o bonde andando maaaaas... o que eu vi foi um arraso e um show de aprendizado e de dança.
Vi bailarinas dançando a essência, o próprio estilo com emoção, delicadeza e arte. E uma dança do ventre eutêntica e diferente. Sempre lembro dos textos da Luana Mello sobre a mesmice que se propagou na dança do ventre: todas dançando do mesmo jeito como se fossem bonecas. Pois bem... vi danças diferentes que me alegraram os olhos, porque ver também é um estudo.
Fátima Braga, Esmeralda (não a conhecia e tem um estilo super marcante), Rhazi, todas arrasaram, com uma dança que não cansa e dá vontade de ver mais e mais. E a mestra de todas nós: Lulu Sabongi! O que falar gente?! Sempre admirei e estudei ela mas a cada ano que passa ela me surpreende, sua dança é cada vez mais apurada, técnica e expressiva.
Lulu dança com o corpo inteiro, com a alma, com a técnica e precisão. Me emocionou em algumas partes, me segurei em alguns momentos para não desaguar. Não é tietagem, porque não sou disso, é meu olhar de admiração e respeito por uma profissional ética, uma pessoa fofa que conversou comigo de igual pra igual - é... acabou ficando uma tietagem isso aqui! kkkk
Sobre a minha dança... todas sabem que a Enta Omri é pura emoção e a maior responsa dançá-la ainda mais pra banca formada por: Lulu, Adriana Bele Fusco, Amara e Esmeralda - mas como não tive alternativa fui que fui.
Era a música que havia mais estudado (claro), porém... quando improvisei me entreguei mesmo, dancei o que havia marcado mas muitas coisas sairam espontâneamente com a emoção do momento. Como a minha expressão que nunca é introspectiva e séria - mas foi o que senti no momento, me fechei e dancei para mim e deixei me levar pela música - só encarei o público em algumas partes e sorri no final, que é onde me senti feliz.
Afinal era a Enta Omri!
Me emocionei muito lá no momento e fiquei no meu mundo. Apesar que lendo o que a Naznin escreveu a respeito, não me arrependo do jeito que dancei, ela se emociou, meu namorado e minhas alunas também.
E foi isso que pegou porque de resto fui bem. Apenas a Adriana curtiu essa expressão e me deu 9.0, o restante me deu 7.0. Engraçado como muda de pessoa pra pessoa. Ao todo fiquei com 168, nem me lembro a nota do terceiro lugar... acho que era 171 alguma coisa.
De restante li muitas coisas boas, incentivos, as minhas qualidades e claro que a Lulu com seu olhar super técnico me deu dicas e correções que ninguém havia escrito. Isso é o que valeu a pena! Ler e ver que são sutilezas que preciso melhorar e isso eu sei que é eterno para qualquer artista.
Claro que fui falar com a Lulu, claaaaro! Não me aguentava e ouvir dela um:
_Você é super talentosa menina! Que postura, que linha! Só precisa deixar mais andeor seus pés e etc... leia e me escreva um e-mail. (nunca pensei que isso ia acontecer um dia),
Olha a sutileza! Bem que a Elis me falou que ela olha e fala o que precisamos ouvir! Lulu arrasa até nisso!
É isso gente! Como terei as prés - seleções na frente e em vista, essas avaliações me ajudarão nisso. Vou pegar as anotações e trabalhar nas aulas particulares e continuar no caminho de aprimorar cada vez mais a minha dança.
Vi bailarinas dançando a essência, o próprio estilo com emoção, delicadeza e arte. E uma dança do ventre eutêntica e diferente. Sempre lembro dos textos da Luana Mello sobre a mesmice que se propagou na dança do ventre: todas dançando do mesmo jeito como se fossem bonecas. Pois bem... vi danças diferentes que me alegraram os olhos, porque ver também é um estudo.
Fátima Braga, Esmeralda (não a conhecia e tem um estilo super marcante), Rhazi, todas arrasaram, com uma dança que não cansa e dá vontade de ver mais e mais. E a mestra de todas nós: Lulu Sabongi! O que falar gente?! Sempre admirei e estudei ela mas a cada ano que passa ela me surpreende, sua dança é cada vez mais apurada, técnica e expressiva.
Lulu dança com o corpo inteiro, com a alma, com a técnica e precisão. Me emocionou em algumas partes, me segurei em alguns momentos para não desaguar. Não é tietagem, porque não sou disso, é meu olhar de admiração e respeito por uma profissional ética, uma pessoa fofa que conversou comigo de igual pra igual - é... acabou ficando uma tietagem isso aqui! kkkk
Sobre a minha dança... todas sabem que a Enta Omri é pura emoção e a maior responsa dançá-la ainda mais pra banca formada por: Lulu, Adriana Bele Fusco, Amara e Esmeralda - mas como não tive alternativa fui que fui.
Era a música que havia mais estudado (claro), porém... quando improvisei me entreguei mesmo, dancei o que havia marcado mas muitas coisas sairam espontâneamente com a emoção do momento. Como a minha expressão que nunca é introspectiva e séria - mas foi o que senti no momento, me fechei e dancei para mim e deixei me levar pela música - só encarei o público em algumas partes e sorri no final, que é onde me senti feliz.
Afinal era a Enta Omri!
Me emocionei muito lá no momento e fiquei no meu mundo. Apesar que lendo o que a Naznin escreveu a respeito, não me arrependo do jeito que dancei, ela se emociou, meu namorado e minhas alunas também.
E foi isso que pegou porque de resto fui bem. Apenas a Adriana curtiu essa expressão e me deu 9.0, o restante me deu 7.0. Engraçado como muda de pessoa pra pessoa. Ao todo fiquei com 168, nem me lembro a nota do terceiro lugar... acho que era 171 alguma coisa.
De restante li muitas coisas boas, incentivos, as minhas qualidades e claro que a Lulu com seu olhar super técnico me deu dicas e correções que ninguém havia escrito. Isso é o que valeu a pena! Ler e ver que são sutilezas que preciso melhorar e isso eu sei que é eterno para qualquer artista.
Claro que fui falar com a Lulu, claaaaro! Não me aguentava e ouvir dela um:
_Você é super talentosa menina! Que postura, que linha! Só precisa deixar mais andeor seus pés e etc... leia e me escreva um e-mail. (nunca pensei que isso ia acontecer um dia),
Olha a sutileza! Bem que a Elis me falou que ela olha e fala o que precisamos ouvir! Lulu arrasa até nisso!
É isso gente! Como terei as prés - seleções na frente e em vista, essas avaliações me ajudarão nisso. Vou pegar as anotações e trabalhar nas aulas particulares e continuar no caminho de aprimorar cada vez mais a minha dança.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
E o e - Ventre?
Tenho tanta coisa pra falar! Que serão necessários mais de um post. A minha impressão é de alegria, emoção e dúvidas mas no geral estou muito feliz pelas avaliações que eu recebi. Para quem não sabe participei do concurso profissional.
Foi a primeira vez que participei e ano que vem estarei lá denovo, quem sabe com um grupo de alunas? E adorei a organização, a energia, não houve atraso, foi tudo bem tranquilo e sem stress. As outras bailarinas super anti-estrelismos =), e no camarim ficamos conversando para descontrair. Ou seja, estávamos lá para fazer o que sabemos fazer, e não houve clima de tensão ou mal dizeres. Isso foi 10!
Só uma coisa que não gostei... quando baixei as músicas elas estavam em uma ordem, depois mudaram essa ordem mas... beleza... se na hora do sortei fosse falado além da faixa o nome da música. Porque em algumas, pelo menos eu, não entraria com véu, outras sim e apenas a que acabei dançando queria estar posicionada. Só isso gostaria que fosse revisto.
Mas é ótima essa proposta e claro que é a mais justa, todas tiveram as mesmas oportunidades porque estudamos as músicas antes e não foi uma surpresa. É uma improvisação estudada!
Confesso que na semana pensei em desistir quando vi quem seriam as juradas, porque a banca era para balançar qualquer uma, e não me arrependo em participar, de dar minha cara pra tapa e ainda dançar tão espontaneamente a Enta Omri - isso mesmo, fiquei com essa música!
Prefiro escrever um post só sobre essa experiência única: dançar Enta Omri para Lulu Sabongi - estive tão instrospectiva porque na hora estava emocionada.
Foi a primeira vez que participei e ano que vem estarei lá denovo, quem sabe com um grupo de alunas? E adorei a organização, a energia, não houve atraso, foi tudo bem tranquilo e sem stress. As outras bailarinas super anti-estrelismos =), e no camarim ficamos conversando para descontrair. Ou seja, estávamos lá para fazer o que sabemos fazer, e não houve clima de tensão ou mal dizeres. Isso foi 10!
Só uma coisa que não gostei... quando baixei as músicas elas estavam em uma ordem, depois mudaram essa ordem mas... beleza... se na hora do sortei fosse falado além da faixa o nome da música. Porque em algumas, pelo menos eu, não entraria com véu, outras sim e apenas a que acabei dançando queria estar posicionada. Só isso gostaria que fosse revisto.
Mas é ótima essa proposta e claro que é a mais justa, todas tiveram as mesmas oportunidades porque estudamos as músicas antes e não foi uma surpresa. É uma improvisação estudada!
Confesso que na semana pensei em desistir quando vi quem seriam as juradas, porque a banca era para balançar qualquer uma, e não me arrependo em participar, de dar minha cara pra tapa e ainda dançar tão espontaneamente a Enta Omri - isso mesmo, fiquei com essa música!
Prefiro escrever um post só sobre essa experiência única: dançar Enta Omri para Lulu Sabongi - estive tão instrospectiva porque na hora estava emocionada.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Que venha mais 27 anos para Lulu Sabongi

Como grande admiradora do seu trabalho, nesse sábado fui conferir o espetáculo "27 anos de Sucesso" e simplesmente gostei muito do que eu vi. Tirando apenas um detalhe: som extremamente alto em algumas apresentações - o espetáculo ao todo foi lindo, emocionante e encantador. Pensando nos mínimos detalhes com uma sensibilidade grandiosa e com muito amor.
Tiveram apresentações com muita técnica, inovação e beleza. Amei ver uns rostinhos conhecidos. Não falarei aqui porque posso deixar alguns de fora, mas no modo geral todos foram ótimos. E claro... Lulu arrasou com sua técnica apurada na Dança Oriental! Os efeitos, os cenários e com seu partner, Gamal Seif, brilhou mais que nunca nesse dia.
Lulu... que venham mais 27 anos de sucesso pois como Tahia Carioca mesmo disse: "Para a arte não há idade" - meus parabéns!!
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Deslocamentos e o espaço na dança do ventre

Já foi o tempo que dançávamos apenas num ambiente pequeno, com o público ao nosso redor, não sendo necessário grandes deslocamentos, giros e novos desenhos no espaço. Como já disse: foi o tempo! Não há como negar a transformação e a ocidentalização da dança do ventre, porque hoje ela é uma dança praticada nos palcos além dos restaurantes e casas de chá.
Por que isso aconteceu?
Todas as bailarinas e alunas sabem utilizar o espaço de forma cênica? Conseguem deslocar coreograficamente?
Tudo isso aconteceu graças ao Mahmoud Reda, porque foi o primeiro a pensar na dança do ventre com um espetáculo cênico realizado em um palco. Isso não era a realidade do Oriente, ainda não é se analizarmos melhor alguns países, mas a partir do trabalho desse coreógrafo, criou-se a Dança Oriental, que é a dança do ventre com mais detalhes, desenhos novos de deslocamento, braços e pernas e passos agregados das danças ocidentais. Claro que o Reda estudou e colocou o folclore árabe nesse contexto, não podemos esquecer disso.
A primeira mudança foi a do espaço cênico: das casas, dos bares e restaurantes para o palco!
E dele surgiram os/as bailarinos/as que conhecemos hoje que vieram desse momento e aprimoraram as técnicas do Reda. Como a Raqia Hassan, Yousry Sharif, Gamal Seif, considerados mestres que devemos estudar, estudar e estudar!
Além do mais, o espaço é além daquele que reconhecemos, porque há espaço no nosso corpo, há o espaço do colega que divide a aula e uma coreografia comigo e etc, como o Ivaldo Bertazzo diz:
"O corpo é um volume no espaço e o movimento modifica as relações dentro desse volume sem desfazê-lo. Por várias razões, acabamos perdendo as sensações de tridimensionalidade do gesto, ou nem chegamos a construí-lo".
Por experiência própria é super delicado e ao mesmo tempo complicado iniciar a aluna, que nunca dançou na vida, com as noções de espacialidade e colocá-la para dançar num palco, já que ensinar os passos básicos toma todo o tempo do mundo. Porém há métodos, aos poucos introduzidos, que prepara as alunas e trabalha o deslocamento e o espaço:
- Trocar posição professora-aluna: não precisamos estar sempre na frente e nem é bom!;
- Trocas as frentes;
- Andar muito pela sala com os passos básicos como os 8s, batidas e básicos;
- Realizar exercícios em roda e de costas pro espelho;
- Simplesmente andar pela sala - use a criatividade para bolar suas aulas;
Bailarinas que devemos estudar
1 - Raqia Hassan - movimentos simétricos
2- Randa Kamel - criatividade e ousadia, dispensa comentários
Esse post foi escrito a partir dos meus estudos e das aulas do curso de "Formação de Professoras" da Elis Pinheiro.Bom estudo!
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