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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quem pode dançar?

Quem é que pode dançar?
Todo mundo. Existe um corpo, tem uma vida, portanto, podemos dançar. Agora resta definir, o que seria esse dançar... ai é outro assunto.
Esse vídeo mostra um exemplo de superação, um belo trabalho de dançaterapia com portadores de deficiência. Não é porque são deficientes que não podem dançar BEM uma bela coreografia. Só ficarei devendo de onde é quando aconteceu. Acredito que seja na China, se alguém souber pode falar.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

A história da Biodança

Farão dois meses que iniciei a prática da Biodança no meu Estúdio e já vejo resultado nas minhas alunas. Uma delas deixou de tomar os anti depressivos e disse que a dança está fazendo muito bem a elas. Claro que não foi só a Bio que causou isso, ela também faz dança do ventre e hidroginástica, e todo esse trabalho que ela faz pra ela, pro corpo dela, proporciona bem estar, auto conhecimento, auto confiança, elevando a auto estima, a saúde e etc.

E quero dividir com vocês um pouco da história da Biodança, já que percebo que pouca gente conhece. Pelo menos aqui em Caieiras ninguém nunca tinha ouvido falar... então vamos lá?

Referência na pesquisa de Irene Nousiainen

Biodança significa literalmente: a dança da vida. Criada por Rolando Toro, com uma abordagem de facilitação do desenvolvimento humano, a partir de um movimento profundo em favor da vida.O seu modelo teórico e metodológico vem sendo construído nos últimos quarenta anos, tendo seu marco inicial em 1965, quando se deu o início de sua sistematização por Rolando Toro.

Rolando Toro Arañeda, nasceu em 1924, em Concepción no Chile. É psicólogo, antropólogo, poeta e pintor, dentre outras muitas qualidades. Sempre esteve em contato com as artes estudou: fotografia, poesia, pintura, dança e teatro. E seu objetivo maior era criar um "paraíso", um mundo onde todos pudessem ser felizes, amar, respeitar o próximo e o principal - aceitar seu corpo e acariciar o outro sem maldade.

Como diz o próprio Rolando: "a biodanza é um modo de convivência com a beleza...em que o contato é essencial". (Toro, 2002: 9).

Trabalhou em hospitais psiquiátricos e nesse ínterim percebeu que alguns de seus pacientes no início do trabalho, entravam em transe, surgindo modelos universais de expressão relacionados às diversas emoções. Essas observações o levaram à conclusão de que, se a música é capaz de promover este estado, então ela exerce influência no psiquismo e, portanto, ela seria capaz de promover bons resultados.

Foi assim, então, que Rolando Toro pôde estruturar seu trabalho, de modo a relacionar música, movimento e situações de contato e de continente afetivo formando uma unicidade.Rolando, então, criou algumas danças e exercícios a partir de gestos naturais do ser humano, com finalidades precisas, a fim de estimular a vitalidade, a criatividade, o erotismo, a comunicação afetiva entre as pessoas e o sentimento de pertença ao universo, à totalidade.

A pesquisa científica sobre respostas neurovegetativas demonstrou que determinados exercícios promoviam uma ação reguladora em nível visceral, dinamizando ou o sistema simpático-adrenérgico ou o parassimpático-colinérgico. Observou-se, também, que outros exercícios:

"estimulavam emoções específicas que produziam efeitos altamente significativos sobre a percepção de si mesmo e do próprio estilo de comunicação afetiva com as outras pessoas". (Toro, 2002: 10).

A estruturação dessa concepção originou a Psicodança.A partir de então, a Psicodança foi sendo difundida e, em 1970, Rolando foi convidado a criar a primeira disciplina de Psicodança na Pontifícia Universidade Católica do Chile, onde o mesmo ocupava a cátedra de Psicologia da Expressão no Departamento de Estética. Nesse período, acompanhou-o na pesquisa, sua companheira Pilar Acuña, responsável por dar à Biodança um caráter poético.

No Brasil a Biodança chegou em meados da década de 70, e foi o próprio Rolando Toro e sua esposa que iniciaram o trabalho em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Ela veio numa época repressiva, libertária... momento importante quando todos buscavam liberdade de pensamento, escolhas, uma época rica em expressões artística e ao mesmo tempo reprimidas pela ditadura, com os grupos: políticos, os hippies, as feministas e etc.

A segunda metade da década de 70 e início dos anos 80, ainda fortemente marcada pela ditadura militar no Brasil, foi palco da perseguição à Biodança e a seu criador, Rolando Toro. Os Conselhos de Psicologia, principalmente da Regional Nordeste, no período de 1979 a 1984, questionaram e perseguiram a Biodança e Rolando Toro porque à época se divulgava que ele era psicólogo.

Roberto Crema, convocado por duas vezes ao CFP - Conselho Federal de Psicologia do Brasil, conseguiu esclarecer a diferença entre Psicologia e Biodança, usando argumentos sobre o Código e da Lei de Regulamentação do profissional de psicologia. À luz da lei, a Biodança jamais poderia ser confundida com a Psicologia.

Mas a luta por mercado e a disputa de poder levaram o CFP a denunciar Rolando Toro com base no Estatuto do Estrangeiro, criado pela ditadura, com a finalidade de expulsar os padres estrangeiros ligados à Teologia da Libertação por ir de encontro aos interesses da elite capitalista e do governo militar da época. Rolando foi então detido em 1982, por quatro horas, sendo solto por encontrar-se com o passaporte validado.

Em sua proposta, a Biodança radicalmente contesta toda e qualquer repressão sexual, levando os "moralistas" e "guardiões da moral" a tentarem de toda forma abortá-la. Alguns outros ainda contribuíram para estabelecer confusão quanto aos propósitos da Biodança, realizando "festinhas" como sendo sessão de Biodança - Biodança do oba-oba.

As pessoas falam que a biodança iniciou-se no Brasil em 1980, porque foi nessa época que ela ganhou mercado, respeito e pretígio, migrando pras outras partes do Brasil: Nordeste e Norte.

Em 19 de outubro de 1982, foi criada, por Rolando Toro e Cezar Wagner, a primeira escola de biodança, a Escola Nordestina de Biodança - ENEB, com sede em Fortaleza. A escolha de Fortaleza deveu-se à sua eqüidistância de todas as capitais nordestinas e, também, por estarem ali, à época, polarizadas as ações de Biodança no Nordeste e de parte do Brasil.

A ENEB resultou do esforço de muitas outras pessoas engajadas no movimento: Índio (de Recife), Ruth Cavalcante, Lia Albuquerque, Sanclair, Rosário, Terezinha Façanha, dentre tantas outras. A escola congregava todos os grupos de biodança do Nordeste. De sua primeira turma formaram-se: Ruth Cavalcante (CE), Terezinha Façanha (CE), Zulmira Bonfim (CE), Gorete (PE), Orlando Rocha (PE), Mira (PE), Tereza (PE), Cláudio (PE), Sanclair (MA) e Nádia (MA).

A Escola funcionava em forma de maratonas, realizadas a cada 45 dias, com a participação de Rolando Toro e de Cezar Wagner e congregou alunos oriundos de todos os estados do Nordeste do Brasil. Sua meta sempre foi sintetizar e consolidar a Biodança no Nordeste, transferir teoria e prática de Biodança a pessoas interessadas, tornar possível a profissionalização do facilitador de Biodança e promover a supervisão aos facilitadores licenciados de Biodança.O modelo da Escola Nordestina para construção, organização, aprofundamento e expansão da Biodança é adotado até hoje em toda a América Latina.

Em 1984, a filha de Rolando Toro, Verônica Toro e seu marido, Raúl Terrén, levaram, pela primeira vez, a Biodança à Europa, na França.

O Brasil é considerado o berço da Biodança: que bacana! Não é mesmo? E Em 1997, Rolando Toro voltou a residir no Chile. Hoje coordena as atividades do movimento Biodança em todo o mundo. Criou a Escuela Modelo de Biodanza e diversos cursos, entre os quais "Curso de Actualización y Formación de Didactas de Biodanza".

No ano de 2000, é publicada a edição italiana Biodanza e a portuguesa, no Brasil, em 2002.O primeiro livro publicado por Rolando Toro foi Projeto Minotauro organizado por Eliane Matuk. Atualmente, Claudete Sant'Anna, juntamente com Rolando, cuidam da administração e da coordenação das atividades da Biodança em todo mundo.A visão biocêntrica de mundo resultou na elaboração do princípio biocêntrico, seu paradigma de sustentação.


Essa nova compreensão de mundo vem promovendo mudanças culturais e metodológicas em várias dimensões de atuação do ser humano, influindo no mundo organizacional das empresas - melhorando qualitativamente seus processos relacionais humanos e da própria organização; na pedagogia - que originou a Educação Biocêntrica; nas atividades ligadas à saúde; e, principalmente, na atuação de cada pessoa que dela tenha conhecimento e nela se lance, tornando-se referência para possibilidades de mudanças de comportamento mais saudáveis.


Essa é uma pincelada da história... interessante ver as dificuldades que a Biodança encontrou, e ela também foi uma forma de protesto de libertação e uma busca dos direitos humanos através do corpo, da dança, do movimento, do amor, da solidariedade, da expressão... do pedido de paz e respeito à vida.





sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Uma menina queimada

Nunca havia percebido o que era o ódio, até que encontrei uma menina de nove anos. Ela me ensinou a verdadeira dimensão do ódio para com o próprio corpo.
Vinha ao estúdio uma vez por semana, acompanhando sua irmã mais nova.

Martita olhava com inveja o rosto belíssimo da irmã. Ela se odiava, e de tal maneira, porque seu rosto, seu corpo, suas pernas, suas mãos estavam cheios de cicatrizes vermelhas, de manchas vermelhas enormes produzidas por queimaduras. Seu rosto tinha sempre um aspecto triste e apagado, dolorido e angustiado, sem vida. Sentada, enquanto observava sua irmã e o grupo de alunas que dançavam, certo dia encontrei-me com seu olhar rancoroso e amargo. Depois de um ano a observar seu silêncio e ver seus olhos, senti a enorme necessidade de dar resposta ao seu desejo de integrar-se à dança.

Pedi à mãe que a deixasse participar das aulas. Ela me disse que ia ser muito difícil, porque sua filha não queria mostrar-se, nunca permitia que a vissem despida e jamais havia posto um maiô.

Comprei uma malha inteiriça e, ao finalizar uma das minhas aulas, dei-lhe de presente e perguntei se queria participar conosco na dança.

Era tal a necessidade de menina – que durante um ano havia assimilado, aparentemente estática, tud o que havia visto – que, quando se integrou, deixou-me comovida com a facilidade de participação diante do grupo. E senti, através dos seus movimentos, o desejo que tinha de fazê-lo.

Lemntamente e sem pressão a mudança foi-se produzindo, e um dia eu a encontrei expressando-se com o movimento, enquanto se olhava pela primeira vez no espelho.
Começou a reconhecer-se e a aceitar-se e, sobretudo, começou a sentir amor do grupo e o que lhe dávamos através da confiança.

Sua expressão transformou-se. Finalmente, pude conhecer seu sorriso. E esse sorriso afirmava a possibilidade de reconhcer o outro espelho, o espelho interno que possuímos, através do qual nós realmente somos.

Seu corpo já não a incomodava. Suas improvisações fizeram-se cada vez mais alegres e descobriu um dia que prodigava sorrisos à sua própria imagem.
O ódio que sentia por seu corpo transformou-se. As danças que ela criava encheram-se de alegria.

Nas improvisações me fazia ver as transformações que experimentava.
Nós temos um pele externa e uma pele interna, Quando nos movemos, expressamos, de acordo com nossa sensibilidade, como somos.

Despertando essa energia, que é criadora, começamos a ver-nos e a sentir-nos de outra maneira.

Nossa querida Martitam que se odiava tanto porque tinha a pele queimada por for a, foi recuperando sua pele interna através da expressão.

A enorme energia que trazia encerrada dentro de si mesma necessitava que chegasse o momento, e chegou. Em que sua pele queimada se transformou em movimento; unindo-se ao grupo de meninas de sua idade começou a descobrir sua outra pele.


Texto extraido do livro: Dançaterapia de María Fux – Summus editorial

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Dança como tratamento


Nós mais do que ninguém, sabemos dos benefícios da dança, seja ela qual for:

- emagrece
- canaliza energias
- desinibe
- proporciona auto estima
- socialização
(...)

São muitos benefícios, e é por isso que é usada como tratamento para certos problemas emocionais e materiais. María Fux penou muito pra chegar na forma de ensinar uma menina surda a dançar. Os surdos escutam apenas o silêncio e para mostrar o ritmo e como ela deveria codificá-lo, ela a ensinou ouvir seu próprio corpo. Usou de formas e desenhos, ou melhor, de signos para ensinar movimentos para uma música que só a surda podia escutar.

No livro essa menina cresceu e tornou-se bailarina, ajudante de María, já imaginaram se esta tivesse desistido? Vejo que as possibilidades de dançar e de ensinar são infinitas e as consequências também são, tanto pra lado negativo como pro lado positivo. Vou só citar os benefícios.

Para as pessoas diferentes e portadoras de qualquer problema, a dança é muito mais do que movimentar o corpo. Ela integra as pessoas na sociedade, mostra que todos podem participar e dessa forma cada um supera seus medos e desafios.

Sem contar no fortalecimento dos músculos, em geral, o corpo adormecido torna-se vivo, feliz, ativo, útil. Desenvolve a consciência de potencialidade, atenção e habilidade. Os pacientes voltam a ter alegria de viver, fazem amigos nas aulas, e buscam novos caminhos.

A dança é instrumento com o poder de ajudar ou de prejudicar, depende muito de quem a aplica e seus objetivos. E a dançaterapia está ai pra ajudar muitas pessoas a se encontrarem e a terem vontade de viver.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Dançaterapia

Esse é um assunto que possuo interesse. Adoro ver os trabalhos de dança como terapia, que são realizados na AACD e em algumas clínicas. Na pós tive o prazer de conhecer a Dani Forchetti, fera no assunto, e uma pessoa que é um poço de sensiblidade. Adquiri admiração e vontade de ingressar nessa área, de mostrar como é bom e que todos podem (e devem) dançar.

Penha de Souza dizia: "Todos tem o direito de dançar porque possuem o corpo, tem o direito de experimentar, de movimentar, de errar, de se divertir". Porém o que vemos são as limitações colocadas pelas próprias pessoas, pelo segmento de dança e pela sociedade. Só que, se pensarmos que os antigos antes de pronunciarem uma palavra eles já dançavam porque era o natural, é pra deixar qualquer um instigado.

Mas vamos falar um pouco de dançaterapia. Ela foi iniciada na Argentina pela MaríaFux na década de 50, de forma natural e de repente. Num belo dia apareceu Letícia uma menina surda que apresentava problemas de comportamento e sua mão acreditava que a dança poderia ajudá-la. Procurou María, uma bailarina renomada em busca de ajuda. E disso, dessa situação María Fux desenvolveu sua técnica na qual chamou Dançaterapia - cegos, surdos, mudos, paralíticos... todos podiam dançar!

Ela escreveu livros lindos, um deles eu recomendo, inclusive para conhecer mais sobre essas técnicas e como podemos aplicá-las em nossas aulas, é o: Dançaterapia - é de arrepiar, de se emocionar.

Escreverei mais dois posts sobre esse assunto, e assim que eu tiver um tempinho, começarei cursos de dançaterapia e arte terapia, porque tenho o ideal de contribuir um pouco para esse mundo maluco através da minha arte.