Mostrando postagens com marcador gabriel nanni. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gabriel nanni. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Vida de bailarina: decepções e motivações

Quero primeiro agradecer à Verinha do blog amarelbinnaz por ter escrito a respeito da minha dança, e ainda ter colocado um vídeo meu. Isso é muito raro acontecer, uma bailarina elogiar a outra, e essa menina é assim, uma fofa que não poupa elogios à ninguém. Brigadão Vera, nesse bolero coloquei um pouco da Saida sim, mas depois de 7 meses minha dança já mudou horrores rs e acrescentei a Randa e o Yousry!

E são nessas horas, com essas pessoas que fico mais animada em continuar na dança do ventre. Confesso que nesses meses fiquei decepcionada e com vontade de largar tudo, já que tenho outra carreira em vista, quero seguir a pesquisa acadêmica e sou professora de artes também.

Vocês devem saber o porquê das desmotivações:

  • Profissionais desqualificadas (nem posso chamar de profissionais, já que devem ser alunas do primeiro ano), que dançam por um cachê miserável e acha que Dança do Ventre se aprende com pouco tempo.
  • Lugares que não pagam um valor mínimo de cachê, cobrando um couvert artístico e ainda dividido, ou seja, não chegamos receber nem 50% dele. Nem água nos dão, não possuem um camarim ou banheiro decente para nos arrumarmos.
  • Não é combinado a hora de entrar e a de sair, geralmente os shows atrasam, ou sempre pedem para dançarmos mais algumas. Em fim, uma hora de show vira 3 horas!! E o cahê é o mesmo!
  • Falta de controle na formação, já que a dança do ventre não é acadêmica. E em SP, o nosso SindDança é uma vergonha, porque temos DRT, mas não temos ninguém para intervir por melhorias de trabalho.
  • As escolas nos pagam o que querem, e da forma que querem. Uma verdadeira exploração. Nisso fiquei livre porque tenho meu estúdio, mas e as outras?
  • Sem reconhecimento: já pensaram quanto foi gasto de tempo e dinheiro na sua formação?
  • Já cansei desses concursos e avaliações que não nos passam as notas por escrito e nem os critérios de avaliação. Só sabemos que não passamos.
  • Minha indignação com a Noite da Conquista: pensei que fosse uma média, mas não... se um avaliador te der uma nota abaixo de 6, você já está fora. E as notas? Não deveriam estar registradas e ser entregues para cada participante, afinal paga-se $150,00 para ser avaliada!! Depois ainda temos que correr atrás dos caras pra saber sua avaliação da nossa dança.
  • A classe não é unida para exigir os direitos e saber seus deveres.
Infelizmente isso é geral no mercado das artes no Brasil, um país de terceiro mundo que não valoriza os artístas e não cria incentivos para ninguém. Quem consegue os formentos são sempre os mesmos, e por ai vai. Só que eu vejo que nós somos as mais prejudicadas já que nosso mercado é menor, fechado e dependemos sempre das mesmas pessoas e lugares.

Vou até colocar uma parte de um texto do meu amigo músico o Gabriel Nanni, que também escreveu sobre sua indignação, em seu My Espace:

"Olá a todos, espero que tenham começado 2010 muito bem!
 Estou postando este para lhes dizer o quão desagradável, triste, bagunçado, individualista e irritante é este esquema de "pagamento" do músico nos bares de São Paulo, claro que me limito a comentar aqui apenas o meu estado atuante (SP). Este tipo de bagunça deve ocorrer em outros estados também. A alguns anos existiu um ruído sobre consumação mínima em bares, isto é óbviamente ilícito segundo o art. 39 do código de defesa do consumidor:
nenhum fornecedor pode impor limites quantitativos de consumo aos seus clientes. O fato meus senhores e senhoras é que como os donos de Bares não querem ficar para trás neste montante monetário convidativo a solução encontrada é claro cobrar o couvert artístico e "abocanhar" 100% deste. Ora, quão fácil, prático e prazeroso eu enquanto dono de bar noturno captar todo o dinheiro gerado deste couvert, já que a classe é desunida e não tem amparo algum de lei.
SE o músico reclamar ou exigir o correto não haverá próxima vez para ele, já terá outro músico ou picareta em seu lugar cobrando metade do valor fixo e possívelmente sem saber do tal couvert.
O que fazer? A quem recorrer? Deixo aqui minhas reclamações pois é fato que a dois anos e meio compareço todas as sextas me apresentando em determinado bar em São Paulo e sou vítima de tal estelionato. Imagino eu o que acontece também com meus colegas de trabalho em outros recintos adversos na noite paulistana e outros estados, creio eu. Deixo aqui meu comentário sobre.
Comentem, divulguem e movam-se para uma melhor classe artística. Obrigado e tenho dito"