Dia 25 dez 2008-12-25
Estou eu aqui na praia e com a cabeça em outros lugares, mas são nesses lugares e momentos de descanso que me dão inspiração... e claro, trouxe comigo alguns dvds de dança pra assistir. O tempo está ajudando porque aqui está a maior chuva.
Vamos lá: Quando a arte deixa de ser pura arte pra ser comercial?
_A dança pode ser comercial?
_O que é arte?
A terceira pergunta é a mais difícil de responder, o que seria Arte? O artesanato não tem o mesmo valor que um outro objeto único e com seu próprio estilo. Van Gogh tem seu valor, mas o cara da esquina, aquele que pinta no azulejo, não.
È simples, falarei de apenas um argumento: quando passamos a fabricar em série, isso torna o objeto comum, porque ele é feito com o propósito de vender. É criado para agradar, para vender, para decorar... e nem sempre a Arte foi criada (é criada) com esse propósito. O artista se preocupa em passar (ou não) sua mensagem, seu recado e preocupa-se em ter um estilo próprio que pode agradar ou não às pessoas. Muitas vezes conseguem fazer as duas coisas: decorar e falar.
Isso acontece com a dança também, Carlinhos de Jesus é o máximo porém ele próprio se intitula de: Sou um bailarino de show, de palco – diferente do Jaime Arôxa. E nós bailarinas de dança do ventre, paramos pra pensar nisso?
Assisti agora mesmo as Bellydance Superstars in Monte Carlo e As Super Noites do Hárem vol.4, por causa de algumas discussões que rolavam pela net e enfim, não tem como agradar gregos e troianos, mas consigo ver certas diferenças.
Eu dava aula num lugar onde a preocupação com a Estética da dança era excessiva, ela tinha que ser totalmente comercial. E o pior é que se exigia expressão, sentimento mas... EU (pelo menos eu) travava e percebia que minha expressão ficava falsa. De vez em quando me sentia como uma marionete, uma boneca sem vontade. Eram fatores que iam contra os meus prícipios artísticos e para mim dança do ventre não era (não é) daquela forma, e ela é bem diferente das outras formas de danças.
Não consigo dançar sem sentir. Se estou triste, faço cara de feliz mas a minha dança dirá que estou triste. Por que não dançar simplesmente pelo prazer de dançar? Quando a técnica e a preocupação em fazer o SHOW, se tornaram mais importante do que meu corpo e minha alma querem fazer no momento em que eu danço?
Pelos videos, como é lindo ver a Jade, a Munira, a Lulu dançarem à vontade delas. Com técnica, beleza, alegria, prazer... dá pra sentir o prazer com que elas dançam! Isso faz toda a diferença e o público sente viu? E das BDS gosto mesmo da Jillina e da Saida, delas consigo tirar movimentos legais, criativos e se estão inexpressivos, basta eu colocar sentimentos neles e mandar ver. Mas elas são o próprio show, com lindos cenários, e uma super produção. Não tiro o mérito delas, porque foram as únicas a lotar teatros para apresentar um show de dança do ventre.
É isso por enquanto... esse tema oferece muuuuuitas discussões e estamos aqui pra isso, escrevam! Fiquem à vontade!