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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Evoluções

Hoje escreverei um post bem pessoal, e acredito que qualquer bailarina passa, passou ou passará por esses momentos. Sabe quando você tem a sensação de que tudo o que faz não é novidade ou que sua dança parou de evoluir?

São idéias malucas que surgem como relâmpagos e eu logo procuro ignorá-las, porque é impossível chegarmos no topo máximo e na evolução final. Pelo menos penso dessa forma, ao olhar outros bailarinos que mudaram tanto a forma de dançar, os pintores com seus diversos estilos de expressar suas idéias e os autores que não se cansam de imaginar e escrever com diversas formas e assuntos novos.

É sempre bom colocarmos novos desafios para nós mesmos: estudar novas músicas, fazer um novo curso ou algo que nunca pensaria em fazer, experimentar e pesquisar novos movimentos, novos artístas...

Sair para ver o novo, experimentar, pesquisar e estudar.

Na dança do ventre, particularmente, estou numa pesquisa ferrada com o meu corpo: o que posso fazer com ele?

Por que não fazer esse braço? Esse giro? Misturar esse com aquele passo? Usar minha cabeça dessa forma... estou na pesquisa interna, externa para conseguir dançar de forma integrada.

Muitas vezes, ficamos com uma "cara de estudo" ao dançar e esquecemos da expressão e da emoção. Aaahhh de vez em quando estou assim! Um desabafo, gente, estou presa na técnica e não consigo muitas vezes sentir a música. E para mim isso é o fim, maaaas como falei, é um novo desafio, já é uma nova etapa.

O incrível é que a impressão do que eu tenho sobre o que faço é muito diferente das impressões dos outros que estão vendo de fora.

Ser artista é isso, uma eterna progressão, evolução e com certeza somos mais felizes! Nunca envelhecemos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O que é arte e o que não é?

Dia 25 dez 2008-12-25

Estou eu aqui na praia e com a cabeça em outros lugares, mas são nesses lugares e momentos de descanso que me dão inspiração... e claro, trouxe comigo alguns dvds de dança pra assistir. O tempo está ajudando porque aqui está a maior chuva.

Vamos lá: Quando a arte deixa de ser pura arte pra ser comercial?
_A dança pode ser comercial?
_O que é arte?

A terceira pergunta é a mais difícil de responder, o que seria Arte? O artesanato não tem o mesmo valor que um outro objeto único e com seu próprio estilo. Van Gogh tem seu valor, mas o cara da esquina, aquele que pinta no azulejo, não.

È simples, falarei de apenas um argumento: quando passamos a fabricar em série, isso torna o objeto comum, porque ele é feito com o propósito de vender. É criado para agradar, para vender, para decorar... e nem sempre a Arte foi criada (é criada) com esse propósito. O artista se preocupa em passar (ou não) sua mensagem, seu recado e preocupa-se em ter um estilo próprio que pode agradar ou não às pessoas. Muitas vezes conseguem fazer as duas coisas: decorar e falar.

Isso acontece com a dança também, Carlinhos de Jesus é o máximo porém ele próprio se intitula de: Sou um bailarino de show, de palco – diferente do Jaime Arôxa. E nós bailarinas de dança do ventre, paramos pra pensar nisso?

Assisti agora mesmo as Bellydance Superstars in Monte Carlo e As Super Noites do Hárem vol.4, por causa de algumas discussões que rolavam pela net e enfim, não tem como agradar gregos e troianos, mas consigo ver certas diferenças.

Eu dava aula num lugar onde a preocupação com a Estética da dança era excessiva, ela tinha que ser totalmente comercial. E o pior é que se exigia expressão, sentimento mas... EU (pelo menos eu) travava e percebia que minha expressão ficava falsa. De vez em quando me sentia como uma marionete, uma boneca sem vontade. Eram fatores que iam contra os meus prícipios artísticos e para mim dança do ventre não era (não é) daquela forma, e ela é bem diferente das outras formas de danças.

Não consigo dançar sem sentir. Se estou triste, faço cara de feliz mas a minha dança dirá que estou triste. Por que não dançar simplesmente pelo prazer de dançar? Quando a técnica e a preocupação em fazer o SHOW, se tornaram mais importante do que meu corpo e minha alma querem fazer no momento em que eu danço?

Pelos videos, como é lindo ver a Jade, a Munira, a Lulu dançarem à vontade delas. Com técnica, beleza, alegria, prazer... dá pra sentir o prazer com que elas dançam! Isso faz toda a diferença e o público sente viu? E das BDS gosto mesmo da Jillina e da Saida, delas consigo tirar movimentos legais, criativos e se estão inexpressivos, basta eu colocar sentimentos neles e mandar ver. Mas elas são o próprio show, com lindos cenários, e uma super produção. Não tiro o mérito delas, porque foram as únicas a lotar teatros para apresentar um show de dança do ventre.

É isso por enquanto... esse tema oferece muuuuuitas discussões e estamos aqui pra isso, escrevam! Fiquem à vontade!