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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Movimento pela criação do estilo próprio da dança

Só para ilustrar o post passado, colocarei algumas danças dentro da análise Dança Do Ventre com "ballet" e "sem ballet". Apesar de que defendo um estilo próprio com influências seja de qualquer tipo de dança.

O ballet ajuda na postura, leitura musical, linha e desenhos cênicos, flexibilidade, equilíbrio, musicalidade, espacialidade... em fim... em vários quesitos necessários à qualquer bailarina.

Como defendo também o bom senso e o equilíbrio, selecionei, entre diversas bailarinas, algumas que possuem isso, usando ou não passos de balé.

Gostaria muito de que vocês deixassem aqui as suas impressões.

Com vocês a Patrícia Bencardini: gosto muito dela, a dança é limpa, única, tem um estilo próprio e para mim é das que conseguem dançar sem muita influência do clássico.



Não poderia deixar de lado a Soraia Zaied, a defensora da onda anti-ballet na dança do ventre.



Agora a Mahaila com o uso na medida certa dos arabesques, uma apresentação muito linda:



E veja esse vídeo da Kahina, que me deixou de queixo caido! Lindo! Apesar de sabermos como o ballet está presente na dança dela, na apresentação do show em comemoração dos 10 anos Da Elis Pinheiro ela nos supreende. Não há arabesques e sim muitos movimentos variados de quadril, riqueza nos movimentos, leveza, postura, expressão perfeita e m fim, para mim é uma das melhores do Brasil.



E pra fechar, vou colocar uma apresentação da Jillina, Amara e Angeles, em 2009, na Fiel. O que eu gosto nela são as movimentações e o uso perfeito do espaço, sem contar, como colocaram os arabesques em cena. Vale a pena conferir:



O que é certo e errado em todos esses estilos? Todas são resultado de estudo, dedicação, pesquisa, auto conhecimento e práticas de diversas atividades físicas e danças, para conseguirem criar um estilo próprio de dançar.

Eu defendo essa idéia!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Evoluções

Hoje escreverei um post bem pessoal, e acredito que qualquer bailarina passa, passou ou passará por esses momentos. Sabe quando você tem a sensação de que tudo o que faz não é novidade ou que sua dança parou de evoluir?

São idéias malucas que surgem como relâmpagos e eu logo procuro ignorá-las, porque é impossível chegarmos no topo máximo e na evolução final. Pelo menos penso dessa forma, ao olhar outros bailarinos que mudaram tanto a forma de dançar, os pintores com seus diversos estilos de expressar suas idéias e os autores que não se cansam de imaginar e escrever com diversas formas e assuntos novos.

É sempre bom colocarmos novos desafios para nós mesmos: estudar novas músicas, fazer um novo curso ou algo que nunca pensaria em fazer, experimentar e pesquisar novos movimentos, novos artístas...

Sair para ver o novo, experimentar, pesquisar e estudar.

Na dança do ventre, particularmente, estou numa pesquisa ferrada com o meu corpo: o que posso fazer com ele?

Por que não fazer esse braço? Esse giro? Misturar esse com aquele passo? Usar minha cabeça dessa forma... estou na pesquisa interna, externa para conseguir dançar de forma integrada.

Muitas vezes, ficamos com uma "cara de estudo" ao dançar e esquecemos da expressão e da emoção. Aaahhh de vez em quando estou assim! Um desabafo, gente, estou presa na técnica e não consigo muitas vezes sentir a música. E para mim isso é o fim, maaaas como falei, é um novo desafio, já é uma nova etapa.

O incrível é que a impressão do que eu tenho sobre o que faço é muito diferente das impressões dos outros que estão vendo de fora.

Ser artista é isso, uma eterna progressão, evolução e com certeza somos mais felizes! Nunca envelhecemos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um artigo publicado

Oi gente!

Finalmente meu texto sobre Estilo foi publicado no site da Central de Dança do Ventre, ele foi selecionado desse blog mesmo.

Entre por aqui no link e confiram!

Central de Dança do Ventre

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Estilo


De acordo com Fayga Ostrower, estilo é:

O homem desdobra o seu ser social em formas culturais. O estilo por exemplo. O estilo não se refere só a determinada terminologia. Abrange a maneira de pensar, de imaginar, de sonhar, de sentir, de se comover, abrange a maneira de agir e reagir, a própria maneira de o homem vivenciar o consciente e as incursões ao inconciente. O estilo é forma de cultura. Seria de todo impossível preordenar as formas estilísticas, inventá-las, tão impossível quanto seria inventar formas de cultura ou modos de viver. Os estilos correspondem a visões de vida.

Coincidência demais esse tema com o curso da Lu sobre a criação do estilo, pena que dou aula de domingo e não poderei fazer. Mas é que esse assunto me interessa, já estava pesquisando sobre ele, e resolvi escrever somente agora. Portanto, discussões são vem vindas!

Ao meu ver a criação de um estilo próprio é um processo eterno, intuitivo, de pesquisa e muito trabalho. Tanto para nós da dança, como para todos os outros artistas das outras linguagens. É um caminho de busca para chegar a criação de um estilo próprio.

E esse estilo é mutável, como já diz a citação que coloquei no início. Pois depende da cultura.

Primeiro, acredito que devemos ser fiéis e sinceras conosco, nada melhor do que possuirmos um auto conhecimento, para poder criar - esse ponto é hiper importante.

Quando nos conhecemos e procuramos ser sinceras, delimitamos nosso campo de influência selecionando o que "gostamos", ou melhor, o que nos afeta de modo afetivo. Dessa forma, adicionamos os valores que julgamos ser importantes para nós.


Há quem goste de arte egípcia, renascentista, de música clássica e etc, porém há aqueles que não se identificam com nenhuma destas expresões artísticas. O que é melhor nesse contexto? O popular, ou o erudito? O moderno ou o clássico? Um estilo será desvalorizado por razões emocionais, de acordo com a personalidade da maioria?

Vamos a uma polêmica: na dança do ventre há as que falam "Sou estilo egípcio", " Sou estilo argentino" e etc... pra mim isso é uma bobagem, porque estamos no Brasil, esses estilos que temos como base já sofreram alterações, já que não são passados pelas próprias profissonais dos países, e nós no momento que decodificamos essas danças, já adicionamos nossos valores. Portanto, há mudanças, alterações e esse estilo já não é puro.

Eu prefiro dizer: estudo tudo, pego o que gosto e tenho uma tendência pro egípcio por isso, por aquilo e por ai vai.

Será que nossa opinião não está engessada nos moldes da sociedade em que vivemos, que já intitula que é vendavél, o que tem qualidade, de bom gosto, cultural e artístico? Como selecionar estilos a partir da técnica, subtraindo os sentimentos para criar o próprio estilo?

Parece um pouco impossível, mas é importante ver TUDO, ler de tudo, ouvir de tudo, sem discriminação, dessa forma teremos muitas referências que nos ajudarão selecionar as que nos identificamos para agregar um valor. O Abujanra dá essa dica, gostem ou não dele, ele é fera e a dica é ótima.

O assunto é enorme, e escreverei mais sobre a criatividade e criação no meu outro blog Novos Olhares, mas aqui já dei uma pincelada. E o importante, no meu ponto de vista, é:

1- Acreditarmos no caminho que escolhemos e nas nossas realizações;
2- Sermos fiéis com nossos valores;
3- Definir o que queremos mostrar, expressar com o nosso trabalho artístico;
4- Pesquisar e estudar TUDO - quanto mais melhor;
5- Seguir nossos gostos e vontades verdadeiros, não deixarmos nos levar pelo modismo, senão seremos as marionetes do sistema;
6- Procurar sempre ser autêntico;

No Novos Olhares, falei sobre a Dona Isabel, exemplo de uma artista que trabalhou muito pra criar seu estilo, e o melhor, sem nenhuma influência externa - seria uma contradição? Vale a pena ler!