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sexta-feira, 11 de março de 2011

Se ela dança eu danço


Que programinha... já estava pensando em como escrever sobre ele e nesse exato momento lendo o blog da Lady Burly, me deparo com um texto perfeito da Beatriz Costa.

Não gosto desse tipo de programa, mas nessa quarta eu o assisti por curiosidade e para "distrair" minha cabeça, em fim... momento que queremos ver qualquer coisa na tv. Além do caso que o texto retrata, vi alguns absurdos de avaliações e grupos sendo massacrados e eliminados sem um motivo justo.

Como o grupo de Folclores Brasileiros que simplesmente arrasou com o Boi Bumbá, barrado pelo João Vlamir, assim como outros grupos folclóricos. O que há de errado nisso?

Até os homossexuais não ficaram fora desses absurdos... nesse programa o João os chamou carinhosamente de boilarinas - de boiolas.

Garotas fora de peso nem se fala, são exoneradas sem um pingo de consideração. É o caso do texto que vou copiar aqui, uma bailarina profissional de um grupo contemporâneo, vive e se apresenta na Itália, foi testada duas vezes e só passará para a outra fase se emagrecer 8 quilos.

Pasmem que a coitada não é gorda, simplesmente tem coxas grossas, ossos largos, o típico corpão.

Faz o meu favor não é mesmo? A dança dela é linda e ao meu ver ela arrasou na improvisação.

A avaliação deles deixou de ser um parâmetro para os artistas aprimorarem e evoluirem para ser uma humilhação em rede nacional - um divertimento para a massa tão maltratada não é mesmo?

Vamos ao texto?


E o meu VAI TOMAR NO CU do dia vai para: João Wlamir (Se Ela Dança, Eu Danço)

por Beatriz Costa

Depois de assistir ao programa Se Ela Dança, Eu Danço, não pude me conter em escrever sobre o jurado João Wlamir. Não me importa quem ele é, o que ele fez na vida, de onde ele vem, nada disso me importa. Em apenas um programa, ele conseguiu me fazer falar com a tv, tamanha a indignação que senti pelo desrespeito dele com as dançarinas que não se apresentaram dentro dos padrões magérrimos de peso.

Uma das candidatas recebeu o desafio de ser aceita para a próxima fase contanto que elimine 8kg até lá. Isso, após varias piadinhas sem graça por parte de João Wlamir, que ironizou o fato dela ter vivido na Itália por algum tempo, dizendo que ela se empolgou com a culinária do país. A garota, de pernas grossas sequer me pareceu gorda. E daí se ela dançou bem e mostrou atitude?? Ela não era um cabide humano, então não estava boa para João Wlamir.

João Wlamir não avalia dançarinos por sua técnica, sua graciosidade, sua atitude ou pelo figurino - ele foca no peso dos candidatos, chama as garotas de "bolarinas". Além de ser extremamente preconceituoso da parte dele, essa postura o limita a reconhecer o talento de bailarinas incríveis que dançam muito e muito bem, independente de seu peso.

Em tempos em que o bullying é tão divulgado e combatido, como podem dar espaço na mídia a uma criatura tão preconceituosa e cruel? Imagino como essas meninas se sentem, sendo ridicularizadas em rede nacional, sem direito de defesa e muitas vezes tendo seus sonhos destruídos sem ao menos terem o talento reconhecido. Programas como esse, já sabemos, servem mais para dar fama rápida a alguns poucos e audiência para a emissora, mas comportamentos ofensivos e preconceituosos não devem ser aceitos nunca.

Eu boicoto o programa Se Ela Dança, Eu Danço. Não darei minha audiência a um meio propagador do preconceito e do bullying. Ao jurado em questão, só me resta o meu melhor e mais sonoro VAI TOMAR NO CU. Beatriz Costa.

PS da Tia Sha: eu não costumo mesmo assistir programas de quinta categoria como esse, mas fica aqui meu apoio ao boicote à esse lixo!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dança do Ventre Integrada ao Corpo, Mente e Coração

Cada vez mais percebo essa integração na dança no modo geral, não há como Dançar de forma mecânica, sem emoção ou expressão. Há quem dança dessa forma, mas é super robótico e ai está a diferença de uma bailarina da outra: passar emoção ao dançar é tudo!

Quero focar o assunto no Corpo, tem como integrar todos os membros ao dançar a dança do ventre, ou dissociamos tudo: braço, quadril, pescoço, braços?

A resposta é: Fazemos os dois - mas cada vez mais estamos integrando todos os membros.

É o que vemos em Randa, Tito, Yousry, Jillina, Amir, Raquia, Saida ... nas fontes de nosso estudo, e as brasileiras não ficam atrás: Elis, Aziza, Lulu, Kahina ...

E o que é integrar? É saber usar muito bem os braços, cabeça, pernas, quadril, mãos ao mesmo tempo. As outras danças já faz isso, mas a dança do ventre faz um caminho contrário:

  • Primeiro ensinamos tudo separadinho, para a aluna pegar as dissociações e os passos de cada vez.
  • Dissociamos o pescoço, o tronco, o quadril, as mãos, os braços do corpo inteiro - justamente por ser dificílimo usá-los de uma vez só logo no começo do aprendizado.

Então para uma aluna iniciante e do básico é necessário esse trabalho de separação, até ela ficar ciente e segura do que está fazendo. E a aluna intermediária já pode começar a trabalhar os braços junto com o quadril e etc.

Na dança o legal é equilibrar, porque ninguém consegue ao menos prestar atenção quando a bailarina integra demais, kkk ela não pára nunca e coloca muitas informações em sua dança, poluindo e cansando o público. Então... cuidado!

Equilíbrio é tudo: integração, usar um passo apenas, expressão, detalhes das mãos, força e leveza - balancear para não deixar sua dança chata e cansativa. Sempre é necessário surpreender o público.

Vejam esse vídeo da Elis Pinheiro, ela já disse que sua busca é a integração perfeita do corpo, acho que dá para ver que o seu caminho está corretíssimo! Não me canso de estudá-la. Percebam como ela utiliza os braços, os deslocamento e os giros ... como também utiliza dos momentos de introspeção - um estilo próprio de dançar.



E agora quero entrar numa polêmica, colocando a seguir o vídeo da Shanan, todo mundo sabe que ela dança plugada nos 220, quando veio no Brasil eu gostei das suas aulas, porque ela integra passos básicos de um jeito original, como o básico egípcio com o redondo - muito louco isso!

Mas... quando ela dança, particularmente, acho super over, um exemplo de como não usar apenas a força e a velocidade rápida para executar certos movimentos. É o estilo dela e da maioria das argentinas e não quero tirar seu mérito, porém a discussão aqui é como integrar o corpo na dança do ventre sem cansar o público e de uma forma bonita e perfeita.

Assistem vocês e depois me digam o que acham:



Integrar corpo, mente, coração quando dançar é minha busca maior que o das técnicas e estudos teóricos - faço tudo ao mesmo tempo! Mas quando danço, me entrego completamente de corpo e alma ao momento.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Notas esparsas sobre corpos negros

Por Marcello Castilho Avellar · 27/07/2007
Idança.net


Relatos de terceiros, I – Quando Luiz de Abreu apresentou na Serra da Capivara seu Samba do crioulo doido, recebeu ameaças de autoridades locais. Está certo que uma coreografia em que a bandeira nacional é exibida presa ao traseiro de um bailarino deve incomodar as pessoas, principalmente aquelas que têm a idéia de pátria mais arraigada em suas convicções. Mas o símbolo nacional deve representar a nação – suas contradições e problemas, inclusive. Se a bandeira não é capaz de representar a condição dos negros no Brasil, é hora de trocar de bandeira. Ou de Brasil.

Perguntas inocentes, I – Até que ponto a reação a Luiz de Abreu na Serra da Capivara foi provocada pelo fato de o traseiro em questão ser negro? Um traseiro branco e burguês teria gerado a mesma controvérsia, ou, pelo menos, controvérsia tão próxima da agressão física.
Memórias de espetáculos, I – “A carne… A carne mais barata… A carne mais barata do mercado… A carne mais barata do mercado é a carne negra”. O que é aquilo que dança ao som desta canção em Samba do crioulo doido? Não é um corpo negro, mas a caricatura de um corpo negro, a caricatura construída por toda a sociedade brasileira ao longo de quase cinco séculos de escravidão. O mais terrível de tudo é a lembrança da estréia da coreografia em São Paulo, no Rumos Dança: como a maioria de nós ria, a maioria de nós supostamente brancos se divertia com aquilo, não era capaz de perceber a tragédia que o bailarino nos apresentava.

Considerações teóricas, I – Nos últimos tempos, falar de dança significa, necessariamente, falar de corpos. Surpreende a maneira como o debate sobre dança – e, portanto, sobre corpos – no Brasil vem, sistematicamente, escamoteando a questão da carne. E, portanto, a questão da carne mais barata no mercado.

Relatos de terceiros, II – Mais uma do Luiz de Abreu. Quando ele chegou a Salvador em 2006, para construir Máquina de desgastar gente, houve quem reclamasse: “Pô que saco, lá vem o cara de novo com seus espetáculos que falam que tem racismo na Bahia…”

Aforismos soltos, I – Ignorar os ratos não salva a despensa.

Perguntas inocentes, II – Quantas vezes já vimos Odette, de O lago dos cisnes, ou Coppelia, dançadas por bailarinas negras. Ah, mas tem a questão do physique du rôle, lembrará alguém. Quem disse que personagens de contos de fadas europeus precisam ser menininhos e menininhas de pele leitosa. Mais ainda, quem disse que o Doutor Coppelius criou uma boneca branca? E por que diabos ninguém acha esquisito, quando se encena Le corsaire, aquele monte de escravos árabes, ou um sultão turco, interpretados por brancos? E o que dizer das montagens de La bayadére?

Memórias de espetáculos, II – No final de Máquina de desgastar gente, os bailarinos dançam como bonecos de caixa de música, regulados para o movimento que a sociedade branca e burguesa espera de intérpretes negros, independente de a trilha sonora trazer uma polca ou algo nos arredores do axé. Os gestos são claros, integram o repertório do lixo cultural com que a Bahia vem conquistando espaço no mercado turístico, muitas vezes às custas de sua identidade e sua alma. Meu mal-humorado advogado do diabo vai dizer que aquilo existe por causa da gringaiada, que é “pra inglês ver”. Só que a maior parte dos turistas na Bahia continua sendo de brasileiros. Brancos e burgueses.

Considerações teóricas, II – O debate sobre cotas nas universidades brasileiras expôs o pior em muitos de nós. A partir dele, livros e entrevistas vêm defendendo algumas teses esdrúxulas. A mais nefasta delas é que, como a genética afirma que não existem diferenças entre raças, o estado não pode legislar a partir delas. Para discriminar alguém (seja chamá-lo de “nego fedido”, seja achar que não tem o physique du rôle para interpretar Odette), ninguém pede exame de DNA. Para enfrentar a discriminação, a exigência, no discurso neo-racista, é obrigatória. E viva a democracia racial brasileira.

Aforismos soltos, II – Minta. Minta. Minta. Alguém acabará acreditando no que você diz. Mesmo num possível conforto da senzala.

Relatos de terceiros, III – Boa parte da moçadinha do Balé de Rua, de Uberlândia, veio dos bairros mais pobres da cidade. Antes de se tornarem bailarinos profissionais, tinham ocupações típicas da gente dos bairros mais pobres de qualquer cidade. Trabalho braçal. Não especializado. Será mera coincidência que sejam todos negros, mulatos ou categorias semelhantes.

Considerações teóricas, III – Pesquisa recente sobre raças (categoria “inexistente”, como já vimos…) no Brasil revelou que as conseqüências econômicas do racismo tendem a aumentar à medida que se ascende em termos de poder aquisitivo. Se você é negro e rico, suas chances de estar mais pobre daqui a um ano são bem maiores que se você é negro e pobre. Não há por que discriminar – tanto – um negro que está por baixo. O perigo são aqueles que pensam que “são gente”, que se comportam como profissionais liberais, pequenos empresários, classe média. Artistas incluídos. Em resumo, Píer Paolo Pasolini tinha razão: as classes pobres são mais tolerantes que as ricas. Ele afirmou isso em relação à sexualidade – ou seja, ao corpo –, mas até esse aspecto pode ser aplicado aqui: será que na favela alguém acha tão ruim sua filha se casar com um garoto negro?

Perguntas inocentes, IV – Voltando à questão do physique du rôle. A tese do racismo na dança clássica brasileira não seria negada pela profusão de rapazes negros ou mulatos que se apresentam em festivais de academias? Não. Ao contrário, afirma-a. A regra do physique du rôle, como tantas outras, só vale enquanto não atrapalha o faturamento. Se o Príncipe Siegfried for cubano, melhor ainda – dá prestígio à escola. Volta e meia tem professor brasileiro reclamando que os cubanos estão invadindo seu mercado de trabalho – mas a reclamação só vale até a hora do festival. Racismo e xenofobia caminham juntos.

Memórias de filmes, I – Todo mundo deveria assistir a O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger. No momento mais redentor do filme (são muitos), o menino protagonista vê o goleiro negro saltar inacreditavelmente para defender seu gol. O garoto, na hora, sabe o que quer ser quando crescer: “negro e voador”. Pelo menos uma mente saudável entre nós consegue perceber cristalinamente as coisas como deveriam ser: se a raça não é categoria biológica, mas social (“etnia”, como sugerem os politicamente corretos), deveríamos poder optar por ela, ou pelo menos lutar por pertencer a ela. Da cena no filme, podemos imaginar uma sociedade sem racismo, onde fosse absolutamente natural um garoto falar a seus pais que quer ser negro, querendo dizer com isso que pretende mergulhar nos valores da cultura negra, independente de qualquer coisa semelhante à cor da pele. Natural, e não escandaloso ou engraçado, nem para negros, nem para brancos.

Considerações teóricas, IV – Se a visão de raça (que, como já vimos, é racista e conservadora) identifica o corpo como sede da distinção, é no corpo que ela precisa ser combatida. Fácil perceber, então, a importância que a dança pode ter nesse combate. Pensando como Steven Biko, líder sul-africano assassinado pelo apartheid, seria necessário, num primeiro momento, assumir integralmente a negritude dos corpos negros e a branquitude dos corpos brancos, rejeitar os simulacros de uma categoria que se impõem à outra. Se formos capazes de rejeitar o embranquecimento quase obrigatório dos corpos negros (representado por modos de ser e agir impostos pela cultura burguesa), e de denunciar, simultaneamente, o simulacro de enegrecimento com que os corpos brancos tentam diminuir sua culpa por todo o processo (signos de cultura negra usados apenas por gosto, sem significado político ou cultural)… Bem, talvez possamos chegar àquele momento utópico em que expressões como “corpo negro”, “corpo branco”, “dança afro-brasileira” ou “raízes européias” percam completamente seu sentido como categorias.

Memórias de espetáculos, III – Num solo de O corpo negro na dança, o bailarino do Balé de Rua percorre o palco, a boca aberta num grito horrendo, que lembra o quadro de Munch, o corpo crispado em tensão permanente. Dor, muita dor, é a sensação que percorre a platéia. Aquela pessoa está sofrendo, as pessoas que ela representa estão sofrendo. Por mais que a dança queira falar apenas de dança, não há como, eventualmente, resvalar para a pantomima, porque eu, espectador, tenho um corpo que funciona do mesmo jeito que o corpo do bailarino, e inconscientemente reconheço no meu corpo aquela tensão muscular e aquela expressão, e sei exatamente o quanto doem os momentos em que estão presentes em mim.

Perguntas inocentes, V – Por que o grito munchiano de O corpo negro na dança mexe tanto com as pessoas? Porque é sincero. Porque é verdadeiro. Porque coreógrafo, bailarino e a companhia inteira sabem exatamente do que estão falando, sabem por experiência própria, não por conhecimento acadêmico.

Memórias de espetáculos, IV – Não lembro o nome da coreografia, sorry, mas era algo da Membros, creio que coreografado pelo Bruno Beltrão, e os bailarinos literalmente subiam pelas paredes, e a imagem era a da tensão da cidade grande, jovens que não seriam necessariamente marginais sendo perseguidos, não por serem marginais, mas por serem da periferia – o que no Brasil significa quase necessariamente serem negros. Nunca vi algo que me falasse tanto daquela condição do jovem da periferia. Membros e Balé de Rua são irmãos naquela categoria de verdade dada em primeira mão, pela experiência.

Considerações teóricas, IV – Ao tratar de loucos e presos, Michel Foucault chegou à incômoda conclusão de que a única luta legítima em benefício deles seria conduzida por eles mesmos. Terceiros – como o próprio Foucault ou seus colegas intelectuais (“sãos” e “livres”) – poderiam até estudar a questão, mas nunca ser os porta-vozes dela, ou os soldados da luta. É possível que o mesmo raciocínio seja aplicável à questão dos negros no Brasil. E é por isso que os trabalhos de Luiz de Abreu, Balé de Rua, Membros e outros (infelizmente, poucos…) são tão magníficos. Discursos na primeira pessoa. Cargas de fuzil contra a muralha do discurso branco e burguês que jura que não há racismo no Brasil. Como o atacante suicida que se lança, o cinto repleto de bombas, contra o quartel dos soldados que ocupam seu país, os corpos negros de nossos bailarinos negros detonam nossas confortáveis convicções.

Paradoxo final, único – O autor é branco e burguês, de modo que seu texto, a priori, é bem menos legítimo e, portanto, menos capaz de transformações que qualquer dos balés citados acima.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Benefícios da dança na educação das crianças

Obrigada pelos coments!! Acho que não sou eu a única idelaista por aqui rs, ainda darei aulas de dança do ventre e contemporâneo nas escolas e ongs... nas ongs é onde quero atuar de verdade, como voluntária! Depois informo vocês ok?

Então...

Vou postar um texto que achei no site: www.praticaesportiva.com.br e que fala um pouco dos benefícios da dança para as crianças.



Arquivo de 2 de Abril de 2007
Benefícios da dança na educação das crianças

Atualmente, a dança na vida da criança deixou de ser somente uma formação artística, e, passou a fazer parte do seu desenvolvimento como ser humano consigo mesmo, com o outro e com seu meio. Isso, pois como diz Achcar (1998), a dança desenvolve estímulos como:

Tátil – sentir os movimentos e seus benefícios para o corpo;
Visual – ver os movimentos e transformá-los em atos;
Auditivo – ouvir a música e dominar o seu ritmo;
Afetivo – emoções e sentimentos transpostos na coreografia;
Cognitivo – raciocínio, ritmo, coordenação;
Motor – esquema corporal, coordenação motora associada ao equilíbrio e flexibilidade.

Além de favorecer aspectos como criatividade, musicalidade, socialização e conhecimento da dança em si.
Na fase de iniciação do aprendizado, seja qual for o estilo de dança escolhido, há necessidade que as aulas possuam um caráter lúdico e bem dinâmico para que as aulas se tornem, antes de mais nada, algo prazeroso. E ao mesmo tempo, será trabalhado itens básicos e necessários para que, gradativamente, as exigências técnicas vão aumentando, pois a dança proporciona o conhecimento do corpo, noções de espaço e lateralidade, a princípio. Sabe-se, de acordo com Priscila Trevisan (2006) que “…uma criança que na pré-escola teve oportunidade de participar de aulas de dança, certamente, terá mais facilidade para ser alfabetizada,…”.
A dança, portanto, é um benefício! A criança adquire confiança e maturidade, desenvolvendo habilidades e luta pela conquista.
Vê-se nos estudantes de dança facilidade em se sociabilizar, o senso de confiança física e mental, boa postura, habilidade corporal, compreensão da relação entre música, ritmo e movimento, promovendo o conhecimento e o apreço por outras formas de arte, beneficiando-os em vários aspectos de suas vidas!


Referências:


ACHCAR, Dalal. Balé uma arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998.

http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=862

Aline de Pieri Pedrosa Ribeiro
Professora de dança e coreógrafa/ Trabalho de Movimento e Expressão Corporal

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A criança, a dança e a expressão


Opa! Depois de um tempinho de descanso estou de volta, imagina eu parar de escrever! Não... esse dia não há de chegar. E hoje postarei sobre um assunto que gosto muito: expressão infantil - que por si só, é natural em qualquer criança.

Nesse último final de semana fui fazer um trabalho voluntário e fiquei com as crianças, minha função além de cuidar delas, era desenvolver atividades com o corpo, eu estava livre para criar o que eu queria desde que fosse cabível à aquele lugar e às elas.

Fiquei boba com a espontâneidade e facilidade de expressarem. Não ensinei nada, apenas fiz com que eles mexessem o corpo, o tocassem e o sentissem. A maioria falava:

_Meu professor de educação física faz isso.
_Não sei dançar.
_Ai que legal!

No geral, eles ficavam entusiasmados com as atividades, riam e se divertiam. Parecia que estavam descobrindo um mundo novo e um novo corpo. Em uma atividade fiz:

1)Primeiro fiz um alongamento fraquinho - só pra acordar os músculos e eles não se machucarem;
2)Depois uma auto massagem, como a Penha de Souza ensina e a Inês Bógea também, que é com os dedos massagear a cabeça, depois os olhos, o nariz e etc... e desce pro corpo inteiro.
3)Pedi para com a mão fazerem desenhos no espaço - ai a imaginação rola solta e quanto menos perceberem já estão dançando - depois foi com o cotovelo, cabeça e o pé - isso também pode ser chamada como técnica Laban, e da Viola.

Isso é só um terço, agora pode ser pego como exemplo, e nele usei linguagem infantil para facilitar a comunicação. Claro que a divisão por idade também é importante, nesse caso eram criaças de 7 a 10 anos. E essas crianças não conheciam o próprio corpo, não tinham feito uma atividade como essa e disso concluo: A dança, o teatro e a expressão corporal são necessárias para o desenvolvimento humano - tem que ter nas escolas!

Acho que devem ter outros idealistas assim como eu =), mas é uma verdade que estou dizendo. Quando a criança conseguir ultrapassar seus próprios limites (começando com o auto conhecimento), ela se tornará mais confiante e com alto estima.

Essa é uma visão pedagógica da coisa toda, mas pra mim toda criança possui uma capacidade tremenda, ela já nasce sabendo tudo, o que precisamos é extrair e ensiná-las a manifestar na vida.

Quanto mais ensino, eu aprendo, isso sim!!

*música de fundo: Somebody to love - Queen

sábado, 25 de outubro de 2008

Relação: corpo x mulher


Mulheres - meu desenho

"Não há nada mais bonito,mais formoso e sensual; Que um corpo de mulher, em seu estado natural."

"Corpo de mulher,brancas colinas,coxas brancas,
assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti
faz saltar o filho do mais fundo da terra.
Fui só como um túnel.
De mim fugiam os pássaros,
e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco,
como uma pedra na minha funda.
Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme
de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite,
meu caminho indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fadiga continua,
e a dor infinita".
Pablo Neruda

Agora começarei uma discussão, nada breve, sobre as relações que existem do Corpo. Adoro pesquisar sobre o assunto, desde que eu vi na pós, me interesso muito e até penso em fazer o mestrado nessa área.

Mas vamos lá, iniciei com um poema de Neruda e uma frase, ambos de homens, e são textos que falam de suas opiniões sobre o corpo feminino. O que acham? São outros olhos que nos vêem assim, é claro que isso muda de pessoa pra pessoa. Mas pro universo masculino, todo corpo de mulher é assim: sensual, lindo, sex, gostoso, desejo e por ai vai.

Esse corpo é vazio? Esse corpo é só forma? Esse corpo também é formado por algo a mais? Não preciso estender, tem aquela velha conversa: _Linda mas burra - Linda, mas não faz meu tipo - Toda gostosa é ligada a propaganda de cerveja - engraçado, mas tudo isso acontece porque o corpo não é só formado pela sua massa corpórea, sua matéria.

Antes da fala, da escrita, da palavra, existia o corpo, o movimento, a comunicação feita de diversas formas. O corpo tem uma imagem, ele fala, ele carrega experiências, ele possui uma identidade, porém hoje, na sociedade, ele é deixado de lado e poucas pessoas possuem essa consciência. Deixarei uma pergunta: É possível realizar uma história do corpo?

Quando dou aula, vejo quantas mulheres e meninas com vergonha dos seus corpos? Imaginando mil coisas só porque são gordinhas, são magras demais, não tem seios, nem coxas... nunca se tocaram, mal se olham no espelho, se gostam mas no fundo tem um complexo ali e aqui. Todas tem algo em comum: procuram a dança do ventre buscando encontrar a feminilidade que perderam no dia a dia, a saúde, o auto-estima, o auto-conhecimento e por ai vai - Todas querem conhecer a história do seu corpo, ou recomeça-la da onde pararam.

E ai? Já pensaram na história dos seus corpos?


De Francesca Woodman

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Antes da Queda

Pra quem gosta de dança contemporânea, começa amanhã dia 21 o Formento de Dança, com diversos espetáculos, no Centro Cultural Vergueiro e na Galeria Olido. Sem contar as oficinas de dança, teatro, música e artes que já acontecem no ano inteiro.
Mas quero falar diretamente do espetáculo Antes da Queda, da Companhia Perdida de Dança, Núcleo 2 Corpos. Ele falará sobre a vida e obra de Francesca Woodman, uma artista plástica genial, que usava seu corpo para criar fotografias, simplesmente brincava com ele criando um cenário, uma plástica, uma intervenção, um... objeto surreal, lindo, fantástico.

Essa discussão é interessante: o corpo, o que ele é? Hum... vou matutar e deixá-lo pra um outro post. Quem trabalha essa discussão, também é Gal Oppido, vale a pena conferir.

E fico contente porque fui selecionada para fazer a oficina de dança dessa companhia. Tenho pequenas participações em dança contemporânea, mas eu adoro! Ainda pretendo fazer aula meeeesmo, ou no Nômades ou Stagium. Será nesse find, das 11h às 16h. E vou conferir o espetáculo nessa sexta.

Mais informações, esse é o site :http://www.antesdaqueda.com.br/site_full.html