sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Uma menina queimada

Nunca havia percebido o que era o ódio, até que encontrei uma menina de nove anos. Ela me ensinou a verdadeira dimensão do ódio para com o próprio corpo.
Vinha ao estúdio uma vez por semana, acompanhando sua irmã mais nova.

Martita olhava com inveja o rosto belíssimo da irmã. Ela se odiava, e de tal maneira, porque seu rosto, seu corpo, suas pernas, suas mãos estavam cheios de cicatrizes vermelhas, de manchas vermelhas enormes produzidas por queimaduras. Seu rosto tinha sempre um aspecto triste e apagado, dolorido e angustiado, sem vida. Sentada, enquanto observava sua irmã e o grupo de alunas que dançavam, certo dia encontrei-me com seu olhar rancoroso e amargo. Depois de um ano a observar seu silêncio e ver seus olhos, senti a enorme necessidade de dar resposta ao seu desejo de integrar-se à dança.

Pedi à mãe que a deixasse participar das aulas. Ela me disse que ia ser muito difícil, porque sua filha não queria mostrar-se, nunca permitia que a vissem despida e jamais havia posto um maiô.

Comprei uma malha inteiriça e, ao finalizar uma das minhas aulas, dei-lhe de presente e perguntei se queria participar conosco na dança.

Era tal a necessidade de menina – que durante um ano havia assimilado, aparentemente estática, tud o que havia visto – que, quando se integrou, deixou-me comovida com a facilidade de participação diante do grupo. E senti, através dos seus movimentos, o desejo que tinha de fazê-lo.

Lemntamente e sem pressão a mudança foi-se produzindo, e um dia eu a encontrei expressando-se com o movimento, enquanto se olhava pela primeira vez no espelho.
Começou a reconhecer-se e a aceitar-se e, sobretudo, começou a sentir amor do grupo e o que lhe dávamos através da confiança.

Sua expressão transformou-se. Finalmente, pude conhecer seu sorriso. E esse sorriso afirmava a possibilidade de reconhcer o outro espelho, o espelho interno que possuímos, através do qual nós realmente somos.

Seu corpo já não a incomodava. Suas improvisações fizeram-se cada vez mais alegres e descobriu um dia que prodigava sorrisos à sua própria imagem.
O ódio que sentia por seu corpo transformou-se. As danças que ela criava encheram-se de alegria.

Nas improvisações me fazia ver as transformações que experimentava.
Nós temos um pele externa e uma pele interna, Quando nos movemos, expressamos, de acordo com nossa sensibilidade, como somos.

Despertando essa energia, que é criadora, começamos a ver-nos e a sentir-nos de outra maneira.

Nossa querida Martitam que se odiava tanto porque tinha a pele queimada por for a, foi recuperando sua pele interna através da expressão.

A enorme energia que trazia encerrada dentro de si mesma necessitava que chegasse o momento, e chegou. Em que sua pele queimada se transformou em movimento; unindo-se ao grupo de meninas de sua idade começou a descobrir sua outra pele.


Texto extraido do livro: Dançaterapia de María Fux – Summus editorial

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Dança como tratamento


Nós mais do que ninguém, sabemos dos benefícios da dança, seja ela qual for:

- emagrece
- canaliza energias
- desinibe
- proporciona auto estima
- socialização
(...)

São muitos benefícios, e é por isso que é usada como tratamento para certos problemas emocionais e materiais. María Fux penou muito pra chegar na forma de ensinar uma menina surda a dançar. Os surdos escutam apenas o silêncio e para mostrar o ritmo e como ela deveria codificá-lo, ela a ensinou ouvir seu próprio corpo. Usou de formas e desenhos, ou melhor, de signos para ensinar movimentos para uma música que só a surda podia escutar.

No livro essa menina cresceu e tornou-se bailarina, ajudante de María, já imaginaram se esta tivesse desistido? Vejo que as possibilidades de dançar e de ensinar são infinitas e as consequências também são, tanto pra lado negativo como pro lado positivo. Vou só citar os benefícios.

Para as pessoas diferentes e portadoras de qualquer problema, a dança é muito mais do que movimentar o corpo. Ela integra as pessoas na sociedade, mostra que todos podem participar e dessa forma cada um supera seus medos e desafios.

Sem contar no fortalecimento dos músculos, em geral, o corpo adormecido torna-se vivo, feliz, ativo, útil. Desenvolve a consciência de potencialidade, atenção e habilidade. Os pacientes voltam a ter alegria de viver, fazem amigos nas aulas, e buscam novos caminhos.

A dança é instrumento com o poder de ajudar ou de prejudicar, depende muito de quem a aplica e seus objetivos. E a dançaterapia está ai pra ajudar muitas pessoas a se encontrarem e a terem vontade de viver.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Dançaterapia

Esse é um assunto que possuo interesse. Adoro ver os trabalhos de dança como terapia, que são realizados na AACD e em algumas clínicas. Na pós tive o prazer de conhecer a Dani Forchetti, fera no assunto, e uma pessoa que é um poço de sensiblidade. Adquiri admiração e vontade de ingressar nessa área, de mostrar como é bom e que todos podem (e devem) dançar.

Penha de Souza dizia: "Todos tem o direito de dançar porque possuem o corpo, tem o direito de experimentar, de movimentar, de errar, de se divertir". Porém o que vemos são as limitações colocadas pelas próprias pessoas, pelo segmento de dança e pela sociedade. Só que, se pensarmos que os antigos antes de pronunciarem uma palavra eles já dançavam porque era o natural, é pra deixar qualquer um instigado.

Mas vamos falar um pouco de dançaterapia. Ela foi iniciada na Argentina pela MaríaFux na década de 50, de forma natural e de repente. Num belo dia apareceu Letícia uma menina surda que apresentava problemas de comportamento e sua mão acreditava que a dança poderia ajudá-la. Procurou María, uma bailarina renomada em busca de ajuda. E disso, dessa situação María Fux desenvolveu sua técnica na qual chamou Dançaterapia - cegos, surdos, mudos, paralíticos... todos podiam dançar!

Ela escreveu livros lindos, um deles eu recomendo, inclusive para conhecer mais sobre essas técnicas e como podemos aplicá-las em nossas aulas, é o: Dançaterapia - é de arrepiar, de se emocionar.

Escreverei mais dois posts sobre esse assunto, e assim que eu tiver um tempinho, começarei cursos de dançaterapia e arte terapia, porque tenho o ideal de contribuir um pouco para esse mundo maluco através da minha arte.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Aliviar os ânimos

Aaahhhh daremos um tempo nesses posts séeeerios, rs. Posto agora a foto de tchan tchan tchannnn:




Tá quase pronto!
Ai que ansiedade!!

E minha fiel escudeira, que sempre está comigo: ela não deixa ninguém encostar em mim porque sente muuuuito ciúmes, pode? Apresento a Sandy! Não é linda?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Efêmero

Continuando...
No nosso querido pai dos burritos, efêmero significa:

1 Que dura um só dia. 2 Passageiro, transitório. 3 Bot Diz-se das flores que murcham no mesmo dia em que desabrocham. sm Bot Planta melantácea (Hermodactylus niger).

E serei bem realista, essa é a nossa realidade. No outro post quando falei da educação, das crianças que ficam doidinhas pela tecnologia era nesse ponto que visava chegar.
Preocupação e investimento na educação nunca foram demais e necessários hoje, mas no fundo, para mim a escola auxilia na formação de cidadãos, poréeeeeem, não tem a obrigação de ensinar certos valores - essa obrigação é da família. Os filhos aprendem com os exemplos, e a nossa família é a nossa base. É ou não é?

E a tecnologia não é de todo ruim. Eu mesma sou fissurada! Adoro a MAC, amaria ter um iPhone, tenho um iMac, não vivo sem um celular, um mp3, uma câmera digital e um computador, afinal tenho um blog para escrever, só que a diferença está na maneira que lido com tudo isso. Meu celular por exemplo, já farão 2 anos que estou com ele, para que trocar se ele está ótimo?

Esse assunto não é de hoje, acho que sempre existiu em toda a humanidade, mas numa outra realidade. As pessoas procurando o efêmero para preencherem um vazio nelas mesmas (ficou com cara de auto ajuda ha), seja no relacionamento, no vestuário, no trabalho, nas compras...

Os jovens que não se enquadram no mundo dos populares são excluidos, e pode reparar que nunca se falou tanto como hoje, do tal estilo. A moda é assunto pra qualquer momento e lugar, e não importa sua tribo. Na minha infância ser fashion era usar Pakalolo, hoje penso que é se sentir bem com o que gosta de verdade.

Mas cresci, isso não me traumatizou, apesar de não ter feito parte das populares da escola, porque pelo menos não existia muitos relacionamento efêmeros como hoje em dia, esses sim são um dos novos problemas da nossa sociedade, e sempre fui rodeada por pessoas maravilhosas e amigas.

Não existe mais nem o relacionamento com algum produto, porque se quebrar é só jogar fora e comprar outro. Para que me prender ao emprego atual se não existe mais um plano de carreira como antes, nunca ficarei mais que 3 anos num lugar? E por ai vai... tudo está muito acessível e fácil demais, ninguem dá mais valor (aqueles que podem), pra conquista e o caminho para chegar nela.

Disso tudo, ainda tenho uma perspectiva otimista, como já falei sempre existiu esses probleminhas mas em ângulos diferentes, quem possui um mínimo de consciência pode fazer sua parte e provocar uma mudança, mesmo que ela aconteça apenas em sua casa, sua escola, seu bairro e seu trabalho.

sábado, 8 de novembro de 2008

Consumo direcionado...consciente? E a educação?


Depois de um breve tempo de ocupação, inicio esse post com Neruda (só para variar um pouco =)):

"Se não estivéssemos tão empenhados
Em manter nossa vida em movimento,
E pelo menos uma vez pudéssemos não fazer nada,
Talvez um enorme silêncio
Pudesse interromper a tristeza
De nunca entender a nós mesmos
E de nós ameaçarmos com a morte."

Pablo Neruda

O que uma coisa tem haver com a outra? TUDO. Ainda não sou uma educadora, mas já penso como uma e não posso ficar indiferente com as mudanças rápidas que acontecem por ai a fora. Caramba! Estamos na era da tecnologia, na qual a informação nunca foi tão preciosa, muitas coisas acontecendo em todas as áreas, em fico imaginando a cabecinha das crianças que crescem nessa época.
Já perceberam que as crianças não possuem mais o tempo delas de serem crianças? Elas exigem celulares, computadores e jogos de última geração. Se meu filho (isso quando eu tiver) pedir celular, falarei:
_OK! Mas vc arcará com as despesas. Da sua mesada você reserva uma parte pra conta.

Sacaram onde quero chegar? Posso ser um pouco dura, mas desejo do fundo do meu coração que meus filhotinhos futuros queiram brincar, correr, sujar, sonhar... e no momento certo...crescerem.

Digo isso porque não só no Brasil (último no PISA), mas em outros países, as crianças tem a obrigação de aprender muitas coisas desde muito cedo. Engraçado é que na Finlândia, a número 1 no PISA, as crianças brincam nas escolas até os 7 anos, porque para eles essa é a fase mais importante para seu desenvolvimento, e só aos 7 elas serão alfabetizadas. Lá elas tem teatro, dança, música nas aulas de arte. Aqui em algumas escolas é feito um trabalho sério, mas em sua maioria, as aulas de arte se resumem em: bonequinhos de sucata, dancinha pro fim do ano, cartão de feliz natal e etc.

Tá mais que provado que as aulas de arte são muito, mas muito importante para o desenvolvimento cognitivo da criança e adolescente. O teatro é um jogo e ele socializa, a dança é expressão e ela sensibiliza... em fim... todas as áreas da arte são capazes de transformar gente, criar cidadãos cosncientes e sensibilizados para o mundo em que vive.

Com toooooooooodas essas transformações, como fica a educação? Como o educador deve mediar as informações, as mudanças dos alunos e transmitir o conhecimento?

Consumir para que? Por que? Necessidade ou vaidade?
O tempo é tão precioso, mas o que é preciso são as pessoas pararem um pouco e ver a sua volta... antes de comprar algo se perguntarem:
_Preciso mesmo disso?

....em outro post continuo... só pra não ficar pesaaaado rs

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Aplausos!

Träume
Coreografia: Ismael Guizer
Solista: Ivonice Satie


Meus sinceros aplausos para os apaixonados pela dança, os que dedicaram (e aos que dedicam, hoje) sua vida à ela. O post de hoje é para homenagear Ismael Guizer e Clara Pinto, e também aos desconhecidos que bravamente lutam pela conscientização da dança e do seu ensino.


É que eu ainda estou sensibilizada pelo programa Figuras da Dança, de terça, que foi sobre a vida e obra de Ismael Guizer - resumindo, segurei as lágrimas porque o cara foi f* rs. Lembrei das minhas aulas de Neoclássico com o Armando, um dos dícipulos do Ismael e como a aula dele era mágica. Imaginei como seriam as aulas do Ismael... caramba! Deviam ser verdadeiros acontecimentos!


Ele dizia: para dançar tem que se apaixonar, tem que amar muito, mas precisa também de muita técnica, dedicação e trabalho. Vejo na dança do ventre, muita gente que não se apega a técnica e só na improvisação e expressão...aiaiai... para qualquer expressão artística é preciso ralar muuuuuuito na busca da perfeição das técnicas.


Mas foi isso que me comoveu, essa paixão que ele tinha, a revolução que ele fez na dança paulista naquela época, o eterno aprendiz e o amor que dedicava em seu trabalho. Sou assim, simplesmente amo a dança, as artes, e quando vejo que para algumas pessoas a dança do ventre não tem o mesmo respeito que os outros tipos (por ignorância) fico bem chateada, porque essas pessoas de aparências, não sabem nada sobre o meu esforço, pesquisa e dedicação pra chegar até onde cheguei. Ligam a dança na sensualidade e até sexualidade...fogo!

Clara Pinto: vida dedicada à profissionalização da dança no Pará


Agora a Clara Pinto, foi outra revolucionária, mas não em SP e sim no Pára. Para vocês conhecerem mais sobre ela, vou colar a reportagem do Sebrae sobre seu trabalho. Ela e outros me inspiram para ir em frente nos meus planos, e sei que serão concretizados.

“Havia poucas produções locais e os espetáculos eram de fora do Estado, raros e muito restritos aos membros da alta classe social paraense”
Clara Pinto Nardi


Dança é arte. Arte é vida: a profissionalização da dança no Pará
Estado: Pará

Data: 1973 - 2004

Tema(s): Empreendedorismo Feminino; Mulheres Empreendedoras;

Autor: Silvaneide Guedes Cabral

Este era o cenário da dança em Belém do Pará no início de 1970. Isto significa, em outras palavras, que a dança, talvez pela sua tradição nas cortes da Europa, era vista como algo elitista. Observava-se uma interessante contradição: as pessoas que aplaudiam os espetáculos pouco ou quase nada incentivavam seus filhos a trilharem os caminhos da dança. Naquela época, o usual era que os jovens e adolescentes, principalmente os de mais alta renda, buscassem as profissões tradicionais.


“Os pais daquela época queriam que os filhos fizessem vestibular, fossem médicos, engenheiros, advogados. Dançar não dava status, não dava futuro”, lembra a bailarina que enfrentou muitos desafios para permanecer na arte de ensinar a dança. Clara começou a dançar aos 15 anos. “Eu passei no vestibular para Direito, na Universidade Federal do Pará (UFPA). Bem que tentei seguir o que era normal, cheguei a dar aulas, mas a minha paixão pela dança falou mais alto e acabei me rendendo e me dediquei só às aulas de dança.”


Depois de alguns anos na atividade, os negócios estavam bem, o número de alunos, crescendo, mas uma inquietação perturbava Clara: “Não bastava ensinar a dançar, era preciso ter um método, profissionalizar a atividade em Belém”. Com o método, a dança talvez pudesse ser respeitada, valorizada, era o que acreditava Clara. Consciente do grande desafio, em 1973, a bailarina foi em busca desse objetivo.

sábado, 25 de outubro de 2008

Relação: corpo x mulher


Mulheres - meu desenho

"Não há nada mais bonito,mais formoso e sensual; Que um corpo de mulher, em seu estado natural."

"Corpo de mulher,brancas colinas,coxas brancas,
assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti
faz saltar o filho do mais fundo da terra.
Fui só como um túnel.
De mim fugiam os pássaros,
e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco,
como uma pedra na minha funda.
Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme
de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite,
meu caminho indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fadiga continua,
e a dor infinita".
Pablo Neruda

Agora começarei uma discussão, nada breve, sobre as relações que existem do Corpo. Adoro pesquisar sobre o assunto, desde que eu vi na pós, me interesso muito e até penso em fazer o mestrado nessa área.

Mas vamos lá, iniciei com um poema de Neruda e uma frase, ambos de homens, e são textos que falam de suas opiniões sobre o corpo feminino. O que acham? São outros olhos que nos vêem assim, é claro que isso muda de pessoa pra pessoa. Mas pro universo masculino, todo corpo de mulher é assim: sensual, lindo, sex, gostoso, desejo e por ai vai.

Esse corpo é vazio? Esse corpo é só forma? Esse corpo também é formado por algo a mais? Não preciso estender, tem aquela velha conversa: _Linda mas burra - Linda, mas não faz meu tipo - Toda gostosa é ligada a propaganda de cerveja - engraçado, mas tudo isso acontece porque o corpo não é só formado pela sua massa corpórea, sua matéria.

Antes da fala, da escrita, da palavra, existia o corpo, o movimento, a comunicação feita de diversas formas. O corpo tem uma imagem, ele fala, ele carrega experiências, ele possui uma identidade, porém hoje, na sociedade, ele é deixado de lado e poucas pessoas possuem essa consciência. Deixarei uma pergunta: É possível realizar uma história do corpo?

Quando dou aula, vejo quantas mulheres e meninas com vergonha dos seus corpos? Imaginando mil coisas só porque são gordinhas, são magras demais, não tem seios, nem coxas... nunca se tocaram, mal se olham no espelho, se gostam mas no fundo tem um complexo ali e aqui. Todas tem algo em comum: procuram a dança do ventre buscando encontrar a feminilidade que perderam no dia a dia, a saúde, o auto-estima, o auto-conhecimento e por ai vai - Todas querem conhecer a história do seu corpo, ou recomeça-la da onde pararam.

E ai? Já pensaram na história dos seus corpos?


De Francesca Woodman

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Nos desafinados...

tb bate um coração!


Ontem fui com minha amiga Ivone e com um amigo dela, o Rafinha, no show dos Desafinados, onde a desafinação passou longe. Sou fã do Jair a um tempo, e agora nessa banda que é uma mistura de blues, jazz e bossa nova, era óbvio que não deixaria de conferir. Eles são bem mais que 4 mocinhos lindinhos, mesmo sem o Santoro... uma pena, são músicos de qualidade, criativos e simpáticissimos!

Ontem além de conferir sucessos como Garota de Ipanema, Desafinado, Samba e etc, ouvimos Blackstreet boys, Michael Jackson, Sérgio Malandro numa versão de bossa nova, no mínimo muito engraçado.

Ainda não vi o filme, e esse show só me deixou ainda mais na vontade. Vale a pena conferir.

Não podia tirar fotos, mas depois que o próprio segurança o fez com seu celular, ai virou festa. Até filmei, mas o som ficou péssimo, uma tragédia.

Para finalizar esse post, vou divulgar o programa: Figuras da Dança - passa às 20h30 na tv Cultura. Semana quívem, dia 27 a 31 será especial com várias personalidades importantes na dança brasileira: Ismael Guiser, Ivonice Satie e etc


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Antes da Queda

Pra quem gosta de dança contemporânea, começa amanhã dia 21 o Formento de Dança, com diversos espetáculos, no Centro Cultural Vergueiro e na Galeria Olido. Sem contar as oficinas de dança, teatro, música e artes que já acontecem no ano inteiro.
Mas quero falar diretamente do espetáculo Antes da Queda, da Companhia Perdida de Dança, Núcleo 2 Corpos. Ele falará sobre a vida e obra de Francesca Woodman, uma artista plástica genial, que usava seu corpo para criar fotografias, simplesmente brincava com ele criando um cenário, uma plástica, uma intervenção, um... objeto surreal, lindo, fantástico.

Essa discussão é interessante: o corpo, o que ele é? Hum... vou matutar e deixá-lo pra um outro post. Quem trabalha essa discussão, também é Gal Oppido, vale a pena conferir.

E fico contente porque fui selecionada para fazer a oficina de dança dessa companhia. Tenho pequenas participações em dança contemporânea, mas eu adoro! Ainda pretendo fazer aula meeeesmo, ou no Nômades ou Stagium. Será nesse find, das 11h às 16h. E vou conferir o espetáculo nessa sexta.

Mais informações, esse é o site :http://www.antesdaqueda.com.br/site_full.html

sábado, 18 de outubro de 2008

Chocada mas não indignada

Um assunto polêmico mas vou falar.
Hoje não falarei de dança, nem de nenhum assunto relacionado a ela, vou falar sobre outras coisas, sem cair no sensacionalismo ou defesa política, porque no fundo estou chocada.
O tema é sobre o sequestro de Eloá e Mayara em Sto André, que toda hora é falado na tv, não sei ainda como consigo me chocar com essas coisas. Será que foi erro da polícia? Será que é má administração do Serra, já que agora tem guerra entre as polícias? Será que foi erro da Eloá que o provocava ou o cara era um louco?
Nesssa história é complicado acusar, achar um culpado, punir... ao meu ver tem N fatores nisso tudo. Pra quem acompanhou viu o momento da entrada dos militares – Por que soltaram a bomba? Outra... O sequestrador apareceu diversas vezes sozinho, por que ninguém atirou no braço, para ele soltar a arma? Emfim, há diversas indagações que faço, e concluo também que o atual governador não tem porte nem voz de comando, para decidir e mandar em alguma coisa. Torço pra não se eleger como presidente!
São novos pedágios no Rodoanel (vai me prejudicar muito), brigas e guerras nas ruas entre as policias no meio da população, hospitais largados, agora isso... mas é outro assunto.

O que eu vejo é que muitas pessoas perderam as referências, parece que tudo é possível. Depois de um menino arrastado até a morte, uma família inteira incendiada no carro, filha espancada e atirada pelo apartamento, agora uma adolescente linda, cheia de vida está em coma irreversível! Não nos esquecemos das coisas mais cotidianas, como: passar no farol vermelho, atropelar e fugir, dirigir bêbado, empurrar as pessoas numa condução lotada, pisar no pé de alguém e nem pedir desculpas... a TV transforma essas situações chocantes em situações violentas cotidianas, e das simples falta de senso e educação como o jeito moderno individual de viver.

Creio que meu direito começa quando começa o do outro, cada um tem seu espaço, seu corpo, seu espírito que deve ser respeitado, eu não possuo o direito de ultrapassar meu limites, invadir os limites do outro para satisfação pessoal – só porque acredito ser esse, o meu direito!

Direito vem com os deveres!

E com minhas palavras deixarei aqui o resumo da obra de Josef Pieper, grande filósofo comtemporâneo: Se você choca ainda com alguma coisa, você não faz parte da grande massa. Tudo o que choca, faz você pensar, comparar, analisar, e isso faz parte de um progresso.

Ainda me choco com essas barbaridades!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Passagens

Tô com vontade de comer anéis de lula...

Fiz um espaguete a carbonara...

Tô bem esperançosa e ansiosa : Minha vida vai mudar muito! - não posso contar...

Planos e mais planos...

Tive vontade de rabiscar (literalmente): olha o que eu fiz...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tatoo

Decidi fazer 2 tatoos, se eu falar que já estou a mais de 5 anos pensando em fazer, vocês acreditam? Pensei muuuuito e agora tenho certeza e acho que tem que ser assim mesmo, afinal de contas é a minha pele e meu corpo que estão em jogo.

Pensei no significado delas, na estética, desenho e local: tudo precisa estar em harmonia. Serão pxb, tons de cinza e um degradé pequeno de rosa em uma delas.

Primeira: um kandi Amor na nuca, pxb, bem fininha, pequena e delicada - quero o efeito de naquim no píncel.


Segunda: uma flor de lótus e o Jissô em ideograma japonês, no cóquis. Também, bem delicados, quero que dê a impresão de uma gravura japonesa, ai que entra o degradé rosa, nas pétalas... tudo depende do que o tatuador falar, ele quem vai saber o que será melhor...

Não sei se sabem, mas tenho um lado zen, espiritualista e religioso, essa imagens, principalmente o Jissô, tem uma importância grande para mim. Sou Seicho-No-Ie, estudo o kardecismo, sei pouco sobre o budismo, mas sei o essencial. Medito, faço minha orações num oratório (xíntoista ou budista, ou abrasileirado) e todo dia reflito minhas atitudes, pensamentos e vontades. Esse é o meu modo de viver, faz parte de minha vida.

Pra acabar, vou colocar a imagem do quadro do Jissô, lá da academia espititual de Ibíuna. Reverências, fiquem com Deus, Namastê!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A Dança

Eu lhe mandei meu convite
a nota inscrita na palma da minha mão pela
chama da vida.
Não dê um salto gritando: "Sim, é isso que eu quero!
Vamos em frente!
Apenas se levante em silêncio e dance comigo.

Mostre-me como você segue seus desejos mais profundos,
descendo em espiral em direção à dor dentro da dor,
e lhe mostrarei como eu me volto para dentro e me
abro para fora
para sentir o beijo do Mistério, doces lábios sobre
os meus, todos os dias.

(...)

Não me digas que as coisas serão maravilhosas... um dia.
Mostre-me que você é capaz de correr o risco de ficar
completamente em paz,
totalmente à vontade com a maneira como as coisas são
nesse exato momento,
e também no momento seguinte, e no seguinte...

(...)

E depois de mostrarmos um ao outro como definimos e
mantivemos os limites claros e saudáveis que nos
ajudam a vicer lado a lado um com o outro,
vamos correr o risco de lembrar que nunca deixamos de
amar em silêncio aqueles que um dia amamos em voz alta.

Leve-me para os lugares do planeta que ensinam
você a dançar,
os lugares onde você pode correr o risco de
deixar o mundo partir seu coração,
e eu condizirei você aos lugares onde a terra debaixo
dos meus pés
e as estrelas no céu fazer meu coração ficar inteiro
de novo, e de novo

(...)

Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos
momentos de solidão,
conhecendo tanto a nossa absoluta solitude quanto o
nosso inegável pertencer.
Dance comigo no silêncio e no som das pequenas
palavras cotidianas,
sem que eu me responsabilize no fim do dia por
nenhum de nós dois.

E quando o som de todas as declarações das
nossas mais sinceras
intenções tiver desaparecido no vento,
dance comigo na pausa infinita antes da grande
inalação seguinte do alento que nos sopra a
todos na existência,
sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora.

Não diga "Sim!".
Pegue apenas a minha mão e dance comigo.

Oriah Mountain Dreamer
do livro "A Dança"


Um texto muito importante pra mim, numa fase super importante da minha vida... pena que ele não aceitou a minha dança...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Estudo

Vario muito o que eu estudo, no mês passado estudei a Amani, agora peguei a Saida com o Mario Kirlis e Mahmoud Reda.

Comprei os dois volumes dos dvs de Saida & Mario Kirlis, porque gosto das explicações dele sobre a música e os ritmos, acredito que nele posso confiar rs. E a Saida... tá certo que ela virou o modelo de perfeição pra várias brasileiras, parece que todo mundo quer ser uma Saida, mas de qualquer forma odeio comparações, porque quando se comparar, se inferioriza. O que gosto nela é a criatividade, elegância, variação de tônus e como ela sabe usar muito bem a sua experiência do balé.

Agora... sou apaixonada pelo Mahmoud Reda, acho sua coreografia liiiinda, leves, criativas, clássicas e nada facéis. É fácil trocar as pernas e confundir os passos, é preciso ver com muito detalhe cada movimento pra pegar o todo.
Simplesmente ADORO! Comprei o dvd dele de folclore, o Banat el Nill, e ainda estou só no Samai, acompanhando os arabesques, giros, passadas, braços....